Saiba como bactéria do caso Ypê e Crystal sobrevive à água e ao sabão
Estudo revela como a Pseudomonas aeruginosa mantém a estrutura externa que ajuda a preservar sua integridade
atualizado
Compartilhar notícia

A bactéria Pseudomonas aeruginosa, identificada em lotes de produtos recolhidos recentemente pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é alvo de pesquisas em diversas áreas da microbiologia.
Sobrevivente em detergentes e até na água, o microrganismo chama a atenção da comunidade científica por usar uma série de estruturas para se manter intacta.
A Pseudomonas aeruginosa tem uma estrutura de membrana dupla (gram-negativa), que é pouco permeável e funciona como um escudo; junta-se a microrganismos semelhantes e forma um biofilme em superfícies, criando mais uma barreira física para proteger a bactéria; e possui um sistema de drenagem que identifica e expulsa substâncias tóxicas de dentro da célula.
Na prática, a combinação das três características a torna resistente a antibióticos e sabão: muitas das substâncias não conseguem sequer “grudar” e entrar nas paredes da bactéria, permitindo que ela se multiplique.
Porém, a bactéria não é indestrutível: alguns tipos específicos de desinfetantes usados em ambiente hospitalar conseguem ultrapassar as barreiras e matá-la.
Estudo mostra como a membrana funciona
Um estudo publicado em 8 de maio no Journal of the American Chemical Society trouxe novos detalhes sobre como o microrganismo mantém sua estrutura celular, um mecanismo considerado importante para sua sobrevivência.
Os pesquisadores concentraram a análise em uma parte específica da bactéria: a ligação entre a membrana externa e o peptidoglicano, substância que forma a parede celular. Nas bactérias gram-negativas, como a Pseudomonas aeruginosa, a organização dessas camadas é fundamental para manter a célula estável.
O trabalho identificou uma proteína que ajuda a manter conectadas estruturas que compõem o envelope celular bacteriano. Para confirmar o mecanismo, os cientistas reconstruíram a reação em laboratório utilizando a proteína PA2854, a lipoproteína OprI e fragmentos sintéticos de peptidoglicano. A partir dessa conexão, a membrana externa permanece ancorada à parede celular.
O estudo não investigou produtos contaminados, infecções em pessoas nem riscos à saúde. O foco foi compreender um mecanismo molecular presente na Pseudomonas aeruginosa.
Para os autores, a descoberta amplia o conhecimento sobre a biologia da bactéria ao revelar como a membrana externa é ligada ao peptidoglicano. A pesquisa também descreve, pela primeira vez, o papel da proteína PA2854 nesse processo, fornecendo informações que ajudam a entender melhor a organização estrutural do microrganismo.