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João-de-barro: preservar o ninho tem grande valor ecológico
O joão-de-barro costuma aparecer em espaços urbanos; entenda a importância de cuidar das aves e de preservar seu ninho
atualizado
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O joão-de-barro é uma ave da família Furnariidae, conhecida pelo ninho de barro em forma de forno. Devido ao avanço das áreas urbanas e às mudanças no uso do solo, esses animais costumam aparecer em espaços urbanos — o que não é motivo de desespero e, sim, de alegria.
Ao Metrópoles, o biólogo Gabriel Sarmento explica as aves silvestres têm perdido seus habitats naturais. Como consequência, tornou-se cada vez mais comum ver espécies se adaptando às cidades.
“O comportamento do joão-de-barro ilustra perfeitamente essa nova realidade. Eles utilizam residências e edifícios tanto para buscar alimento quanto para se reproduzir”, explica o profissional.
Por que manter um ninho de barro no quintal
De acordo com Gabriel, o ninho de barro não apresenta riscos diretos aos moradores e, por isso, não deve ser motivo de alarme.
A atenção deve se voltar apenas para a estrutura da casa. “Se for construída sobre fiações expostas, caixas de luz ou calhas, pode causar curtos-circuitos ou entupimentos”, alerta.
Pensando no bem-estar das aves, o cuidado principal é evitar o estresse visual e sonoro.
“Luzes diretas e barulho excessivo afetam muito os adultos e, principalmente, os filhotes durante a reprodução”, diz o profissional.

Valor ecológico
Talvez poucas pessoas saibam, mas o biológo Gabriel Sarmento citou um fato interessante: preservar o ninho tem um grande valor ecológico, já que a estrutura vazia pode ser reutilizada por outras espécies, como o canário-da-terra e o pardal.
E se a casinha estiver em local inadequado?
Pode acontecer do ninho de barro estar em um local inadequado. Nestes casos, é importante saber é que a fauna brasileira é protegida por lei e destruir um ninho ativo, com ovos ou filhotes, é considerado crime ambiental.
Por isso, se o ninho está ocupado, a forma correta de proceder é ter paciência e esperar a natureza seguir seu curso.
“Em poucas semanas, os filhotes crescem e abandonam o local. Só então, com a certeza absoluta de que o ninho está vazio e sem inquilinos de outras espécies, o morador pode fazer a remoção de forma segura”, orienta Gabriel.
Se houver um risco imediato, como um curto-circuito iminente que coloque a casa em risco, o recomendado é acionar o Batalhão de Polícia Militar Ambiental para fazer o resgate.








