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Guarda compartilhada de pets exige rotina e planejamento entre tutores
Projeto aprovado no Senado prevê regras para guarda compartilhada e reforça a importância da rotina para evitar estresse nos pets
atualizado
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A guarda compartilhada de pets, que passa a ter regulamentação prevista no Projeto de Lei 941/2024 aprovado pelo Senado em março, traz um desafio que vai além da divisão de tempo: exige organização entre os tutores para evitar impactos negativos no bem-estar dos animais. O texto agora aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao refletir uma realidade cada vez mais comum no Brasil, a proposta estabelece que, na ausência de acordo entre as partes, caberá à Justiça definir a convivência com o pet, além da divisão de despesas como alimentação, higiene e cuidados veterinários. Nesse caso, a falta de planejamento e rotina pode gerar estresse e prejudicar a adaptação de cães e gatos.
Pensando isso, a coluna É o Bicho! conversou com uma especialista para orientar tutores que adotam a guarda compartilhada.
Confira!
Por que planejamento é tão importante?
A veterinária Mayara Andrade explica que o planejamento é o que vai garantir que o animal se adapte à dinâmica entre as duas casas.
Um dos erros mais comuns é cada tutor oferecer uma dieta diferente ou fazer alterações repentinas. “O ideal é que a rotina alimentar permaneça o mais estável possível. Mantenha o mesmo alimento, respeite os horários e siga as quantidades recomendadas.”

Para ela, os responsáveis devem combinar qual será a comida. “Mesmo quando eles têm boas intenções, é comum que cada um queira agradar o animal de uma forma diferente. No entanto, oferecer alimentos distintos em cada casa pode causar desequilíbrio nutricional ou excesso de calorias”, alerta.
Cuidado com os petiscos
A especialista destaca que é importante ter cuidado com os petiscos.
Segundo ela, muitas vezes, cada tutor acaba oferecendo recompensas que o outro já deu ao longo do dia. A recomendação é que os snacks não ultrapassem cerca de 10% da ingestão calórica diária de cães e gatos. “Acabam recebendo mais recompensas do que deveriam, simplesmente porque cada pessoa acredita estar dando pouco.”

“Mais do que organizar a convivência, é essencial garantir que a qualidade dos cuidados permaneça a mesma em qualquer ambiente”, pontua a profissional da MBRF Pet.
Comunicação na medida do possível
Mayara reforça que a guarda compartilhada pode ser funcional se existir uma comunicação objetiva. Informações sobre alimentação, peso do pet, restrições e mudanças de comportamento devem sempre estar claras para ambos.

“Os animais dependem da previsibilidade para se sentirem seguros. Quando a alimentação, os horários e os cuidados básicos são mantidos de forma consistente nas duas casas, o animal consegue se adaptar melhor à nova rotina e manter a saúde em equilíbrio”, conclui.










