Se o Itaú aplicasse os mesmos juros que cobra no cartão, teria que devolver R$ 55 mil por R$ 10 cobrados indevidamente
Taxa de juros aplicada pelo Itaú no cartão de crédito é de 396,87% ao ano. Devolução será apenas do valor cobrado, sem juros ou correção

Os valores cobrados indevidamente pelo Itaú durante 14 anos serão devolvidos sem juros ou correção monetária. Ou seja, se o Itaú recolheu R$ 10 de um correntista com a prática, o Itaú devolverá apenas R$ 10.
Mas, caso fosse aplicado aos ressarcimentos os mesmos juros que o Itaú cobra no cartão de crédito, os números seriam bem diferentes.
Atualmente, os juros aplicados pelo Itaú no rotativo do cartão é de 396% ao ano. Ou seja, em um ano, uma dívida de R$ 10 se transformaria em R$ 3.960. Em quatorze anos, período em que o Itaú admitiu adotar a prática, esses mesmo R$ 10 teriam virado R$ 55.440.
Vale lembrar que as cobranças eram lançadas, justamente, nas faturas do cartão de crédito dos consumidores. Os valores eram atribuídos a seguros e outros serviços não solicitados pelos correntistas.
Se olharmos apenas para inflação nesses 14 anos, os R$ 10 subiriam para R$ 26.
Além disso, para receber o dinheiro de volta (sem juros e correção), os consumidores terão que provar que foram vítimas. O acordo assinado pelo Itaú com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e o Instituto de Defesa do Consumidor (idec) estabelece que só terão direito ao ressarcimento os correntistas que identificaram as cobranças indevidas e registraram uma reclamação em canais oficiais até dezembro de 2025.
As vítimas ainda terão que provar que não solicitaram os serviços pelos quais foram cobradas. Tudo isso apesar do Itaú ter admitido a prática.
R$ 16 bilhões em 14 anos
Como mostrou o Metrópoles, é difícil dimensionar os valores arrecadados com a prática, admitida pelo Itaú, de cobrar indevidamente por serviços não contratados pelos clientes durante 14 anos. O banco afirma ter 100 milhões de clientes. Assim, se tivesse tirado R$ 1 de cada um deles no período, teria levado R$ 16 bilhões.
Os valores cobrados, no entanto, de acordo com a ação coletiva que deu origem à confissão do Itaú, são bem maiores: variam de R$ 10 a R$ 30. Considerando uma média de R$ 20 e que apenas 10% dos clientes tenham sido vítimas da prática, o valor arrecadado pelo Itaú no período chega a 33,6 bilhões.
De qualquer forma, são valores superlativos que saíram da conta de pessoas comuns sem que elas consentissem e foram parar nas mãos do Itaú.




