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Como a Planner cresceu mais de dez vezes assumindo espólio da Reag

Planner comprou ativos, absorveu funcionários e assinou um contrato cujo o teor ainda é desconhecido com o liquidante da Reag

atualizado

metropoles.com

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Reag Investimentos
1 de 1 Reag Investimentos - Foto: Divulgação

Com apenas uma transação de R$ 1 mil, a Planner cresceu mais de dez vezes. O negócio foi celebrado com a Reag, antes da liquidação da gestora de fundos investigada por “esconder” dinheiro do crime organizado e do Banco Master, que, por sua vez, é investigado por fraude.

A Planner ficou com a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), que presta serviços fiduciários e de administração de fundos. Mas, além disso, durante a negociação, teve acesso à base de clientes e a informações sobre os fundos feriados pela Reag.

Esta semana veio à público a assinatura de contrato entre a Planner e a APS, empresa do liquidante nomeado pelo Banco Central (BC), Antônio Pereira de Souza. O objetivo seria retomar a gestão dos fundos, que estão com os status “congelados” desde a liquidação, determinada no dia 15 de novembro.

Os termos, valores e contrapartidas do contrato são desconhecidos. Estão sob responsabilidade do liquidante cerca de 700 fundos que, em dezembro de 2025, reuniam R$ 363,5 bilhões.

A Planner também incorporou cerca de 100 funcionários que eram da Reag. Como mostrou a coluna, após a liquidação do Banco Pleno e da Pleno DTVM, o avanço das investigações do BC tem, ao menos, três novas instituições pelo caminho: Trustee, Sefer e Planner.

A Trustee tem uma trajetória semelhante à da já liquidada Reag. As duas administradoras de fundos são investigadas na Operação Compliance Zero, que apura o uso da estrutura financeira pelo crime organizado, principalmente o PCC.

Além disso, ambas eram utilizadas pelo Master, de acordo, desta vez, com as investigações da Operação Compliance Zero. No papel, a Trustee pertence a Maurício Quadrado, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master. No entanto, a maior parte do patrimônio da gestora pertence ao fundo Estocolmo, do empresário Nelson Tanure. Os dois são alvo das investigações da Polícia Federal (PF), assim como João Carlos Mansur, fundador da Reag.

A Sefer Investimentos foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, investigada por integrar esquemas de repasse de recursos para empresas ligadas à família de Vorcaro (como Milo Investimentos e Mercatto Incorporações). Além disso, a corretora atua como representante legal da Titan Capital, holding no exterior vinculada a Vorcaro.

A ligação da Sefer com os negócios de Vorcaro, no entanto, é anterior ao Master. Em 2020, a Sefer foi alvo de uma operação da PF batizada de Fundos Fake. Além da corretora, foram investigados o Banco Máxima, antiga denominação do Master, e o próprio Daniel Vorcaro, que depois foi excluído do processo. Vorcaro havia assumido o controle do banco um ano antes.

A corretora Planner, por sua vez, não é alvo da Compliance Zero, mas é a grande herdeira da turbulência promovida pelo avanço das investigações na Faria Lima. Status agora reforçado pelo acordo celebrado com a liquidante da Reag.

Procurada, a Planner disse que não se manifestaria sobre o acordo. Em relação aos avanços das investigações do BC, a corretora afirmou que “não possui qualquer relação societária, operacional ou financeira com as instituições recentemente liquidadas pelo Banco Central no âmbito das medidas envolvendo o Banco Master”

Ainda segundo o documento, “a Planner também não é objeto de investigações e não participou de operações relacionadas aos fatos apurados pelas autoridades. A associação de seu nome a esse contexto é falsa e não encontra respaldo nos fatos”

.“A Planner é uma instituição autorizada a funcionar pelos órgãos competentes, atua em estrita conformidade com a regulamentação do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários, possui processos auditados e mantém padrões de governança e compliance compatíveis com as exigências do sistema financeiro nacional”, diz a nota.

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