Dinheiro e Negócios

Além do rombo contábil, Aegea acumula queixas e casos de corrupção

Empresa admitiu ter pago propina a agentes públicos em pelo menos seis estados e 20 municípios

atualizado

metropoles.com

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Dilvulgação/Aegea
Trabalhadores Aegea
1 de 1 Trabalhadores Aegea - Foto: Dilvulgação/Aegea

Os problemas da Aegea Saneamento não são só contábeis. Além do sumiço de R$ 5 bilhões do balanço, a empresa acumula queixas, processos e casos de corrupção. A situação crítica atinge diferentes estados e municípios onde a empresa passou a ser responsável pelo fornecimento de água e o tratamento de esgoto.

No Rio Grande do Sul, a Aegea assumiu o controle da Corsan após arrematar a estatal por R$ 4,1 bilhão, em 2022. Desde então a empresa enfrenta uma forte crise institucional. As principais reclamações incluem tarifas de esgoto abusivas, cobranças indevidas em locais sem rede e falhas no abastecimento. A situação levou à criação de uma Comissão Especial na Assembleia Legislativa do RS.

Líder no setor privado de saneamento básico no Brasil, a Aegea está presente em 893 municípios distribuídos por 15 estados. Expansão que, de acordo com executivos da própria Aegea, foi turbinada pelo pagamento de propina a agentes públicos.

Em delação premiada, integrantes do alto escalão da Aegea admitiram ter pago R$ 63 milhões em esquemas de corrupção que beneficiaram prefeitos, governadores e discais para facilitar a expansão da empresa.

O processo deu origem a um acordo de leniência, no qual a Aegea se comprometeu a pagar R$ 439 milhões à União. Nenhum agente público foi punido.

Sumiço de R$ 5 bilhões

Como mostrou o Metrópoles, o último balanço da Aegea jogou um baita balde de água fria no mercado, que vinha apostando alto no crescimento da empresa. Tudo começou quando a Aegea precisou revisar informações contábeis de 2020 a 2024. O resultado foi o desaparecimento de R$ 5 bilhões do patrimônio líquido, além da diminuição do lucro de 2024, que caiu de R$ 2,4 bilhões para R$ 1,8 bilhão.

Com a revisão, vieram atrasos na divulgação dos resultados, e as agências de classificação S&P e Fitch rebaixaram a nota de crédito da Aegea para grau especulativo — ou junk, em inglês — e colocaram a companhia em observação negativa.

A empresa evitou um cross-default (vencimento antecipado das dívidas) por muito pouco, ao entregar os dados minutos antes do fim da data-limite.

Com os tropeços, o aguardado IPO — oferta inicial de ações — da empresa foi adiado para 2027, frustrando as expectativas do mercado para 2026.

Para a Itaúsa, holding que controla o Itaú Unibanco, a queda foi de R$ 700 milhões. A Itaúsa tem 13,2% das ações da Aegea. O restante da participação é dividido entre Equipav e GIC, o Fundo Soberano de Singapura.

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