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Tarcísio propõe Ibirapuera com lojas subterrâneas e ar-condicionado
Projeto apresentado em nova consulta pública substituiu plano de João Doria e prevê centro comercial em piso subterrâneo do ginásio
atualizado
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Mais de cinco anos depois de o então governador João Doria (PSDB) propor a transformação do Ginásio do Ibirapuera em um shopping center em um projeto de concessão, agora Tarcísio de Freitas (Republicanos) que apresenta seus planos para a maior e mais famosa estrutura esportiva indoor da cidade. A ideia é que, concedido pelo governo de São Paulo, o ginásio tenha piso rebaixado, maior capacidade de público, e seja cercado por um centro comercial subterrâneo.
A proposta faz parte de uma nova rodada de consulta pública para o projeto de concessão do Complexo Esportivo Constâncio Vaz Guimarães, que também tem mais um ginásio, um centro aquático e um estádio de atletismo. O novo plano é que o pacote também inclua a Vila Olímpica Mario Covas, que está sendo reformada e fica no Butantã.
Na etapa de consulta pública, que começou nesta segunda-feira (23/3) e vai até 24 de abril, o objetivo é receber contribuições da sociedade para o aprimoramento do projeto. O usual, contudo, é que o modelo escolhido pelo governo estadual seja mantido no edital, que prevê uma concessão de 25 anos.
A mais importante foi o tombamento do complexo pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional ), o que significa que a arquitetura do conjunto formado pelos ginásios, pelo centro aquático e pelo estádio Ícaro de Castro Melo precisa ser preservado. Além disso, a própria gestão Tarcísio terminou de destruir a pista de atletismo do Ícaro, o que gerou reação popular e a decisão de o próprio estado, a partir da COHAB, reformar o equipamento. A obra está em andamento.
Por isso, o projeto apresentado agora por Tarcísio deixa de fora qualquer exigência a respeito de obras no estádio. Assim, quem vencer o edital receberá ele reformado e pronto para ser usado tanto em competições de primeiro nível do atletismo quanto para jogos de futebol. Isso fica mais fácil com a concessão em conjunto da Vila Olímpica Mario Covas, que também tem pista de atletismo – isso permite deslocar para lá treinamentos de provas de lançamento e arremesso, que machucam o campo, preservando o gramado para o futebol, que hoje tem carência de um estádio de médio porte na cidade.
As maiores obras seriam no ginásio, que passaria por uma grande reforma, com rebaixamento da quadra, implementação de arquibancadas retráteis no lugar do que hoje é o anel inferior de cadeiras e ampliação do polígono das quadras. Hoje o Ibirapuera não comporta uma quadra de 20 x 40m, tamanho oficial de uma quadra de handebol ou futsal.
A concessionária, pelo projeto, também deve implementar ou requalificar camarotes, vestiários e demais espaços do ginásio, atualmente bastante defasados, além de instalar um sistema de ar-condicionado e estruturas metálicas no teto que suportem, por exemplo, telões de última geração. A capacidade mínima prevista no edital seria de 16 mil pessoas.
O projeto de concessão também prevê uma reforma significativa do centro aquático Caio Pompeu de Toledo, que passou por grande reforma no começo da década passada, chegou a receber um campeonato brasileiro de natação, e depois foi praticamente abandonado como equipamento de esporte de alto rendimento por falhas estruturais na piscina olímpica.
Ali, a concessionária seria obrigada a cobrir piscina e arquibancadas, criando um centro aquático fechado que é demanda antiga da natação brasileira. Também precisaria construir novo alojamento (o que permitiria o espaço se tornar um centro de treinamento permanente), reformar o tanque de saltos (que não é fundo o suficiente) e fazer uma nova piscina de aquecimento.
O esboço de edital apresentado pela gestão Tarcísio trata como obrigatórias as demolições de estruturas que não fazem parte do projeto tombado, incluindo os galpões utilizados para treinamentos de vôlei e judô e o edifício de alojamentos, que fica ao lado do centro aquático e está muito degradado. A concessionária seria obrigada, porém, a levantar novo alojamento, nos fundos da piscina, com 22 suítes e capacidade para 110 atletas por turno.
A ideia, pelo que indica o documento, é que o Ibirapuera volte a abrigar algo parecido com o Projeto Futuro, que formou atletas como a campeã olímpica Maurren Maggi – os melhores jovens atletas de natação, atletismo, vôlei e judô do Estado viviam no Ibirapuera, onde recebiam treinamento de alto nível. O projeto foi desconstruído na gestão Doria, durante a primeira tentativa de conceder o complexo.
Como contrapartida, o concessionário teria o direito de construir dois novos equipamentos comerciais. Um deles, um prédio de até 10 metros de altura, com perfil de hotel, onde hoje estão instaladas quadra de tênis. Outro, um centro comercial no subsolo do ginásio principal, que teria dois níveis, um deles para estacionamento. Espaços atualmente fechados no entorno do ginásio também poderiam ser transformados em lojas.








