Demétrio Vecchioli

Controladoria proíbe contratações de agência investigada na SPTuris

Decisão da Controladoria Geral do Município vem em sindicância determinada pelo prefeito Ricardo Nunes após reportagens do Metrópoles

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte Metrópoles
Pessoas vestidas com a camisa da Quarter e da prefeitura de São Paulo têm cabeça de laranja
1 de 1 Pessoas vestidas com a camisa da Quarter e da prefeitura de São Paulo têm cabeça de laranja - Foto: Arte Metrópoles

A Controladoria Geral do Município (CGM) de São Paulo decidiu nesta quinta-feira (19/3) proibir a contratação ou o acionamento de contratos com a agência MM Quarter por parte da administração direta ou da indireta. A empresa é alvo de sindicância instaurada por determinação do prefeito Ricardo Nunes (MDB) depois de o Metrópoles revelar que a agência estava no nome de uma laranja ligada ao então secretário adjunto de turismo, Rodolfo Marinho.

A decisão do controlador Daniel Falcão cita que a medida foi necessária em razão “das suspeitas de complexo arranjo de desvio de recursos públicos, com indícios de fraude e irregularidades verificadas nas contratações, que representam risco de difícil reparação e de grave
risco ao interesse público”.

Marinho e o presidente da São Paulo Turismo (SPturis), Gustavo Pires, foram demitidos por Nunes depois que a CGM encontrou duas procurações da mulher que formalmente era dona da Quarter, Nathalia Carolina da Silva Souza, para Marinho e para o empresário Victor Correia Moraes, que operava a empresa.

A Quarter mantém mais de uma dezena de contratos a partir de Atas de Registro de Preço com a SPTuris, para fornecer mão de obra e caixas de copinhos de água mineral. Tais contratos têm valor nominal de mais de R$ 200 milhões.

Além disso, é contratada pela Secretaria Municipal de Turismo para administrar as Centrais de Informações Turísticas – a coluna mostrou que uma irmã da Victor recebeu salário de R$ 76 mil em janeiro, a partir de recursos da prefeitura, para coordenar o projeto.

A agência já não vinha sendo acionada pela SPTuris desde que Gustavo Pires foi demitido – formalmente ele foi exonerado “a pedido” – e a presidência da SPTuris foi assumida pelo Coronel Marcelo Salles. Seja fornecendo produtores, guias de turismo ou água mineral, a empresa era acionada pela prefeitura com grande frequência desde que foi fundada em 2022. Era comum ela emitir mais de uma centena de notas fiscais para a SPTuris em uma semana.

A Quarter também fornecia mão de obra terceirizada de forma contínua para a Secretaria de Cultura e para a própria SPTuris, como mostrou a coluna. Eram pessoas selecionadas pela secretaria realizavam serviços rotineiros com escala na sede da pasta e em equipamentos como as Casas de Cultura, mas eram remuneradas pela Quarter.

A coluna teve acesso a relatórios mensais que mostram que, em agosto do ano passado, por exemplo, a Cultura pagou por 89 produtores que trabalhavam de forma permanente para a pasta. Os “relatórios fotográficos” não tinham fotos, mas a seguinte explicação: “os serviços foram prestados, porém não há evidência de registro fotográfico”.

A situação já era investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) antes das matérias do Metrópoles sobre o tema e, como mostrou a coluna, custava à Secretaria quatro reais para cada um real pago de “salário”.

Na semana retrasada, esses trabalhadores forem dispensados, sob o argumento de que a prefeitura havia decidido suspender os acionamentos da Quarter. Como eram contratados como pessoas jurídicas, não tinham direitos trabalhistas. Eles também reclamam que a agência informou que não tinha previsão de quando pagaria pelos serviços prestados por eles em fevereiro – o usual era receberem até o dia 10 do mês subsequente.

À coluna, na semana passada, a prefeitura explicou que a Secretaria de Cultura havia suspendido os serviços enquanto a SPTuris revisava os contratos e pagamentos pendentes da Quarter. “A pasta fez um remanejamento da equipe própria e nenhum serviço deixará de ser prestado pela Secretaria à população”, comentou.

Antes da decisão da CGM desta quinta, Coronel Mello já havia determinado um levantamento preliminar e análise de conformidade documental dos processos de medição vinculados às notas fiscais da Quarter, com verificação de análise da regularidade formal e documental dos processos de medição, verificação da aderência entre os serviços efetivamente executados e aqueles registrados nas medições apresentadas e exame da correspondência entre medições, atestes, notas fiscais emitidas e eventuais pagamentos realizados, de modo a verificar a regularidade da cadeia de liquidação da despesa.

Já a Quarter afirmou que não havia sido foi acionada nenhuma vez pela prefeitura neste mês de março. “Sendo assim, não procede a informação de demissão ou corte de profissionais, uma vez que a mobilização de pessoal ocorre de forma eventual e sob demanda”, justificou.

“A MM Quarter informa ainda que todos os pagamentos referentes aos prestadores de serviços contratados pela empresa estão em dia e os valores vicendos também serão honrados conforme os prazos e condições estabelecidas”, informou. A coluna perguntou quais os prazos e condições estabelecidas e não obteve resposta.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?