Demétrio Vecchioli

SP: secretário tinha procuração para gerir dinheiro de fornecedora

Rodolfo Marinho podia administrar dinheiro de agência que ele contratava enquanto secretário de Turismo

atualizado

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Divulgação/prefeitura de São Paulo
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1 de 1 ricardo-nunes-e-rodolfo-marinho - Foto: Divulgação/prefeitura de São Paulo

Exonerado nesta quarta-feira (26/2) pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), Rodolfo Marinho tinha poderes para administrar o dinheiro da agência MM Quarter enquanto era secretário municipal de Turismo e, a agência, uma empresa terceirizada para executar eventos e administrar os Centros de Informações Turísticas (CITs) da cidade.

Esses poderes foram conferidos pela mulher que o Metrópoles vem mostrando, desde a semana passada, ser uma laranja no comando da Quarter. Ela se chama Nathália Carolina da Silva Souza e morava de aluguel em um cortiço na zona norte de São Paulo. No papel ela tirou R$ 14 milhões de lucro da empresa em 2024, mas, em 2025, ainda divida um quarto e sala com três familiares.

A procuração de Nathália para Rodolfo foi citada (e exibida) por Nunes ao anunciar a demissão do então secretário adjunto. A coluna teve acesso ao documento, datado de 24 de agosto de 2023.

Dez dias depois, a Secretaria de Turismo, sob a presidência de Rodolfo, lançou edital para contratação de uma empresa para gerir as Centrais de Informações Turísticas (CITs) da cidade de São Paulo. A concorrência foi vencida pela Quarter, empresa que Rodolfo tinha “amplos e gerais poderes” para administrar.

O político foi rebaixado a secretário adjunto em 2024, mas a Quarter continuou com o contrato, renovado mais uma vez no mês passado pelo secretário Rui Alves (Republicanos). A coluna mostrou que o Turismo paga por itens que não existem nos CITs, como televisões de 85 polegadas e mapas táteis. Também revelamos que Bárbara Moraes, irmã dos gestores da empresa, recebeu R$ 76 mil de salário em janeiro, pago com dinheiro da prefeitura.

Pela procuração, Marinho, então secretário, poderia receber e dar recibos e quitações, abrir e movimentar contas junto a bancos em geral, depositar e retirar quantias, desbloquear senhas, etc. Ele também poderia representá-la perante a prefeitura, repartições públicas em geral, autarquias, juntas comerciais e outras entidades, assinando em nome dele. Rodolfo também poderia contratar e demitir pessoas.

Esta coluna revelou, na sexta-feira passada (20/2), que Nathália e Rodolfo eram sócios de uma empresa de comunicação política quando ela fundou a Quarter e ele foi nomeado secretário de Turismo. Nos documentos em que entrou na sociedade, assinados em 2018, Nathália tinha assinatura bem diversa daquela que consta nos contratos assinados com a prefeitura de São Paulo a partir de 2022, que nunca têm firma reconhecida.

Nathália nunca foi vista pro funcionários da Quarter, que na prática é administrada pelos irmãos Marcelo e Victor Correia de Moraes. Pela procuração que ela forneceu a Rodolfo, ele poderia assinar em nome dela, inclusive com assinatura digital.

A Quarter tem R$ 232 milhões em contratos vigentes com a prefeitura de São Paulo, sendo um de R$ 36 milhões com a Secretaria de Turismo e os demais com a SPTuris, uma sociedade de economia mista cujo presidente é indicado pelo prefeito. Gustavo Pires, que ocupava este cargo, também foi demitido nesta quarta por Nunes.

A agência ligada a Marinho era contratada pela SPTuris e pela Secretaria de Turismo sempre sem licitação. No momento de renovar contrato, os órgãos comparavam os preços oferecidos por ela com os de empresas ligadas a ela, como outra empresa de Victor Moraes. Na prestação de contas com a SPTuris, a agência não precisa comprovar o serviço prestado.

Em nota, a Quarter disse que “todos os processos de contratação de seus serviços seguiram critérios técnicos e exigências legais” e que “a empresa está à disposição das autoridades para esclarecimentos e confia na apuração dos fatos”.

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