Relatório da PEC da Segurança Pública deixa de fora repasse das bets
Proposta não muda quanto as bets pagam de impostos, mas retira dispositivo que veio da Câmara colocando custeio delas na Constituição

O relator da PEC da Segurança no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), retirou do relatório final o dispositivo que destinaria 30% do imposto federal sobre as bets para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).
A ideia é que a proposta volte depois ao Congresso em forma de projeto de lei. Por enquanto, o dispositivo, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados, sai da PEC para que uma alteração tida como necessária no texto não obrigue a PEC a voltar para a Câmara nem force a rejeição do texto no Senado. A ideia é votar o projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário nesta quarta (2/9).
Carvalho atendeu a sugestão do setor esportivo que, como revelou a coluna, apontava a influência das bets no dispositivo que aumentava a transferência de impostos para a segurança pública sem aumentar quanto elas pagam de impostos.
O problema estava, como revelou o Metrópoles em primeira mão, na redação do artigo 139, que acabava por incluir o custeio das despesas das bets na Constituição. O texto constitucional passaria a prever que os recursos destinados ao FNSP seria calculados somente depois da dedução dos prêmios, impostos incidentes sobre eles e a manutenção das empresas de apostas.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNa prática, a garantia de recursos para custeio da atividade das bets deixaria de estar em legislação ordinária e passaria a integrar o texto da Constituição, que é mais difícil de ser alterado.
“Esse dispositivo inverte substancialmente a lógica de distribuição dos recursos provenientes das apostas de quota fixa, ao proteger os valores destinados ao custeio das Bets e suprimir os montantes de todos os repasses sociais atualmente vigentes”, justificou o relator.
Carvalho acatou emendas dos senadores Damares Alves, Humberto Costa, Mara Gabrilli para suprimir o dispositivo. Com isso, se aprovado no plenário, o texto não precisa voltar para a Câmara e pode ir direto para a sanção presidencial.
No relatório, publicado há pouco, o senador destacou que o dispositivo “que privilegia as bets” foi incluído no plenário da Câmara sem que ninguém tivesse apresentado emenda sugerindo-o. Naquela Casa, o relator foi o deputado federal Mendonça Filho (PL-PE).
“Vale registrar, também, que a disposição prevista nesse artigo não estava contemplada na redação original da PEC, nem no Substitutivo apresentado à Comissão Especial instituída pela Câmara dos Deputados, para elaborar parecer sobre a matéria. Apenas em Plenário, surgiu essa redação que privilegia as Bets, sem que tivesse sido apresentada nenhuma emenda nesse sentido”, escreveu Carvalho.
A supressão do artigo 139 é uma vitória parcial do setor esportivo, que se reuniu com Carvalho mais cedo e deixa, ao menos por enquanto, de perder cerca de 20% do que arrecada com o imposto das bets para a segurança pública. Quando a discussão sobre o dispositivo voltar ao Congresso, o esporte deverá tentar que o aumento do repasse ao FNSP saia de um aumento de impostos paras as bets, não da diminuição do repasse a outros entes.




