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Prisão de primo de Vorcaro põe empresa de energia solar na mira da PF
Felipe Vorcaro é dono e fiador de usinas de energia solar da ForGreen, que atua em Minas Gerais
atualizado
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A prisão de Felipe Vorcaro, primo e um dos operadores de Daniel Vorcaro, põe a ForGreen, uma das principais usinas de energia solar do país, como alvo das investigações sobre os negócios do banqueiro. Uma participação acionária em uma das empresas do grupo foi repassada ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), de acordo com a Polícia Federal, para pagamento de propina ao líder do Progressistas.
Uma empresa fortemente ligada a Ciro – as filhas e a ex-mulher dele são sócias, o irmão é representante e a mãe já foi – comprou do fundo Green Energia FIP Multiestratégia uma fatia de 30% de participação na Green Investimentos SA. O negócio foi fechado em R$ 1 milhão, ainda que as cotas valessem pelo menos R$ 13 milhões, segundo a PF. A diferença representaria uma vantagem econômica indevida, na avaliação dos policiais.
Apresentação obtida pela coluna mostra que, em abril de 2024, Felipe Vorcaro detinha 77,78% de participação na Green Investimentos. Ele era sócio de Marcos Ribeiro (que tinha outros 16,67%) e Marcelo Tavares Faria (5,55%). Por se tratar de uma sociedade anônima, a participação acionária não precisa ser atualizada publicamente.
Eles eram sócios, na mesma proporção, também na Green Stone Participações, por sua vez era a única dona da BRGD SA, empresa também citada na ordem de prisão de Felipe Vorcaro.
Em meados de 2024, em três ocasiões ele citou a BRGD em mensagens ao primo para, segundo a PF, se referir à propina paga ao senador. “Oi Daniel [Vorcaro], é para seguir com o pagamento dos 300k para o pessoal que investiu na BRGD?”, escreveu em junho. “Oi, é para continuar pagando a parceria brgd/cnlf? 300k mes?”, perguntou de novo em julho. O banqueiro dá o “sim”.
De acordo com a ForGreen, a BRGD tem “atuação destacada na construção e gestão de usinas fotovoltaicas com projetos em diversas localidades”.

Usinas de energia solar
Uma cadeia de empresas – que passa por Pro Energy, Green Energy, Green Participações – também fazia com que, em abril de 2024, Felipe Vorcaro fosse o dono de 70% da ForGreen, da GreenPlay, da EVTrip e de diversas usinas de energia solar em Minas Gerais.
Essas usinas são SPEs (sociedades de propósito específico), financiadas a partir de emissão de debêntures, tratadas como “títulos verdes”, já são usadas para financiar projetos com benefício ambiental. À medida que o dinheiro entra pela venda de energia elétrica, os investidores são remunerados.
A coluna identificou sete emissões em que Felipe Vorcaro – o primo de Daniel Vorcaro -, como pessoa física, é fiador da operação. Ou seja: se os investidores não forem pagos, a garantia é o patrimônio dele.
O negócio funciona da seguinte forma: o grupo é dono de fazendas, espalhadas por Minas Gerais, onde são instaladas milhares de placas de energia solar. A produção é vendida para mais de 100 clientes, entre eles a Cemig. A ForGreen projetava chegar a uma capacidade de aproximadamente 250 MW este ano.
O grupo encabeçado pelo primo preso de Daniel Vorcaro também envolve as marcas KBTZ Engenharia, a Sustentar Energia, a Horizonte Soluções Inteligentes de Energia e a Elétrica Solutions.
