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Alvo da PF, empresa de Ciro aluga sede de delegacia de crimes econômicos
CNLF, citada pela PF como parte do propinoduto de Vorcaro a Ciro Nogueira, aluga sede de delegacia ao governo do Piau
atualizado
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A CNLF Empreendimentos Imobiliários Ltda, empresa apontada pela Polícia Federal como intermediária das “vantagens econômicas indevidas” paga por Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira (PI), é dona do imóvel onde funciona a Delegacia Especializada Contra Crime de Ordem Tributária Econômica do Piauí.
Decisão do ministro André Mendonça, do STF, determina a suspensão da atividade de natureza econômica ou financeira da CNFL, que tem, porém, um contrato vigente com o governo do Estado do Piauí, pelo qual recebeu R$ 581 mil no ano passado.
De acordo com a representação da PF que embasou a operação desta quinta-feira, a CNLF é a o “veículo patrimonial central do núcleo vinculado a Ciro Nogueira funcionando, em tese, como instrumento de recepção, circulação e formalização aparente de recursos destinados ao senador”.
Sempre segundo a PF, a CNLF pagou R$ 1 milhão para adquirir participação societária estimada em aproximadamente R$ 13 milhões na Green Investimentos S.A, que por sua vez tem participação em uma empresa de energias renováveis, a Trinity.
A representação aponta que a empresa de Ciro Nogueira recebeu uma “vantagem negocial” de R$ 12 milhões, reforçada por um comando específico de Daniel Vorcaro ao seu primo Felipe – preso pela PF nesta quinta-feira – para que a participação acionária ensejasse a percepção de dividendos “sem que a operação ingressasse no radar de eventuais mecanismos de fiscalização”.
No Piauí, essa fiscalização é exercida em um prédio da própria CNLF, que desde 2016 aluga para o governo do Piauí, sem licitação, um imóvel de três andares na rua Sen. Joaquim Píres, no bairro de Ininga, em Teresina.
Um primeiro contrato, na modalidade dispensa de licitação, pelo então secretário de Fazenda do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que hoje é governador. O aluguel então custava R$ 360 mil por ano. Desde então, foi sendo renovado anualmente.
Em 2019, 2020 e 2021, quem assinou o aditivo pela parte da CNLF foi Eliane Nogueira (PP), mãe de Ciro e que depois viria a substituí-lo no Senado enquanto o filho era ministro da Casa Civil do Governo Jair Bolsonaro (PL).
Em nota sobre a operação desta quinta, o senador disse repudiar “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. “Reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos”, disse.
