Demétrio Vecchioli

Marquise do Ibirapuera reabre no sábado sem eventos na agenda

Área de 27 mil m² no Parque do Ibirapuera será reaberta no sábado pelo prefeito Ricardo Nunes. Obra custou mais de R$ 86 milhões

atualizado

metropoles.com

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Arquivo pessoal
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1 de 1 marquise_ibira_1200x800 - Foto: Arquivo pessoal

Foram mais de cinco anos sem que o paulistano pudesse frequentar uma das construções mais icônicas da cidade. A espera termina neste sábado (24/1), quando caberá ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) reabrir ao público a Marquise do Ibirapuera após uma reforma que custou mais de R$ 86 milhões aos cofres municipais.

Diferente do prédio da Bienal, por exemplo, que fica dentro do Parque Ibirapuera, mas não faz parte da concessão à Urbia, a marquise é responsabilidade da concessionária. Mas, quando da concessão do parque, em 2019, a Prefeitura de São Paulo não previu a necessidade de reformar o espaço, que já sofria com risco de colapso e estava interditado para o público.

Interdição em 2020

Logo depois de a Urbia assumir o parque, em 2020, uma associação de moradores do entorno conseguiu na Justiça a interdição total da marquise e, depois, que a prefeitura fosse obrigada a reformar de novo o espaço — a marquise já havia sido inteiramente reformada entre 2010 e 2012, mas rapidamente colapsou, tanto que já em 2017 uma placa de revestimento que fazia parte da estrutura do teto caiu perto de um skatista.

Assim, coube à prefeitura, não à Urbia, arcar com a obra. Mas foi a concessionária quem a realizou, com dinheiro público, em arranjo chancelado pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) ao custo inicial de R$ 71,9 milhões, um desconto de 5% sobre estimado anteriormente em processo licitatório.

“Quando a prefeitura lançou o edital da obra, argumentamos que seria muito mais caro que um terceiro fosse contratado, porque ele, por exemplo, teria que alugar um espaço externo para ter um canteiro de obra, enquanto a gente já tem um aqui dentro do parque. Além disso, entendemos que, como é a gente que vai operar, se nós mesmos realizássemos a obra não haveria risco de, futuramente, haver discussão sobre falhas”, explica Samuel Lloyd, diretor comercial e porta-voz da Urbia

A estrutura, projetada pelos arquitetos Oscar Niemeyer, Hélio Uchoa Cavalcanti, Eduardo Kneese de Mello e Zenon Lotufo, tem 27 mil m² e serve como conexão entre os pavilhões do parque. Inaugurada em 1954, tem um histórico de servir como espaço cultural e esportivo.

A coluna esteve na marquise nesta quarta-feira (21/1), a convite da concessionária, e viu um espaço que muito pouco se distingue de como era uma década atrás, até porque o projeto é tombado pelos órgãos municipal, estadual e federal do patrimônio histórico. A diferença está, claro, no visual de “novo”, esperado de um local recém-formado.

A iluminação parece ter melhorado e a principal diferença estética está no forro da cobertura, que agora é de gesso, muito mais liso do que a estrutura anterior, de concreto. A obra também envolveu, segundo Lloyd, a retirada de toneladas de impermeabilizantes passados sobre a laje ao longo de décadas, o que não estava previsto no edital e ajudou a encarecer a obra.

Banheiro de shopping e restaurante de hotel cinco estrelas

A Urbia calcula que, só em manutenção (limpeza e segurança, principalmente) a marquise vai custar cerca de R$ 3 milhões a mais por ano à concessionária, que já tem algo em torno de R$ 100 milhões/ano em custos do tipo com os seis parques que fazem parte da concessão — além do lucrativo Ibirapuera, o contrato envolve cinco parques menores na periferia de São Paulo.

O banheiro é sempre apresentado como exemplo desse investimento. A Urbia se orgulha de ter instalado banheiros em padrão bem acima do exigido pela concessão e no esforço de mantê-los sempre limpos, algo incomum em parques do tipo. Na marquise não é diferente: ao menos antes de ser inaugurado, o banheiro parece de shopping center.

Em contrapartida, a concessionária terá novas receitas. A principal delas ainda depende de aprovação de órgãos de patrimônio: a instalação de um restaurante em área que hoje está cercada por tapumes, perto do fechado Pavilhão das Culturas Brasileiras. “A ideia é que seja um restaurante de comida internacional”, diz Lloyd, defendendo que o restaurante já estava no projeto original de Niemeyer.

Segundo ele, ao menos por enquanto, a concessionária não tem contratos fechados para eventos ocuparem a marquise, que seguirá tendo uma vocação cultural. Realizar feiras ali, por exemplo, não está no radar.

Como antecipou o Metrópoles, o regulamento de uso da marquise deverá limitar a 13% a área para prática de skate, patins e ciclismo BMX Freestyle. A delimitação será feita com fitas no chão. Inicialmente a Urbia era contra qualquer prática esportiva ali, mas recuou. Um decreto de 2003 proibindo práticas esportivas foi revogado nesta quarta-feira por Nunes, autorizando especificamente skate, patins e BMX.

A Urbia também queria vetar caixas de som, mas deverá perder a queda de braço, abrindo espaço para que a marquise volte a ser palco de ensaios de dança.

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