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Empresa de alvo da PF tem concessões públicas e tentou comprar clube
João Carlos Mansur é presidente do conselho deliberativo da Revee, que tem concessões em Recife, BH e Araraquara
atualizado
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Apesar de ter deixado o comando da Reag depois da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, João Carlos Mansur, novamente alvo da PF nesta quarta-feira (14/12) pela Compliance Zero, segue como homem forte da Revee, onde é presidente do conselho de administração.
A companhia, listada na bolsa de valores de São Paulo, tem concessão de equipamentos públicos em Araraquara (SP), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), chegou a anunciar a compra de um clube da segunda divisão do futebol de Portugal e pretendia construir em São Paulo tanto uma arena multiuso no Anhembi quanto um novo estádio no Canindé.
Mansur ganhou notoriedade como fundador da Reag Investimentos, depois de trabalhar na estruturação de mais de 200 fundos de investimento. Como conselheiro do Palmeiras, foi quem intermediou o acordo entre o clube e a WTorre para a construção do que hoje é o Allianz Parque. Pelo negócio, fechou um contrato para receber R$ 75 mil por mês durante o tempo em que duraria a obra.
Ao criar a Revee, convidou Luis Davantel, que havia sido o principal executivo à frente do Allianz, para ser o CEO. A ideia era replicar o modelo de sucesso, assumindo a gestão de outros complexos esportivos e culturais, montando uma rede de equipamentos do tipo.
O primeiro a entrar na carteira da Revee foi o complexo da “Arena Fonte Luminosa”, em Araraquara (SP), composto pelo estádio de mesmo nome, um dos mais modernos do interior do país, o ginásio Gigantão, utilizado pela equipe de basquete do SESI, e um centro de eventos com capacidade para receber 30 mil pessoas em shows. Assinada em 2023 pela Revee e pelo então prefeito Edinho Silva (PT), a concessão por 35 anos previa pagamento de R$ 10 milhões à vista e outros R$ 20 milhões em investimentos diretos por parte da Revee.
Enquanto a Reag assumiu a gestão do financiamento da Neo Química Arena, estádio com Corinthians, com a Caixa, a Revee passou a buscar influenciar a gestão de arenas comprando dívidas das construtoras com os bancos. Foi assim que, em 2023, a companhia passou a deter parte da dívida da Arena do Grêmio, em Porto Alegre. A fatia comprada por R$ 40 milhões foi vendida no ano passado a Marcelo “Marquespan” Marques pelo dobro, R$ 80 milhões. O plano era fazer o mesmo com a Arena Fonte Nova, de Salvador (BA), e a Arena das Dunas, de Natal (RN).
Em Recife, venceu, no ano passado, a concessão por 35 anos do recém reformado ginásio Geraldão, em um contrato de R$ 209 milhões. Com o governo de Minas Gerais, assumiu a concessão de uso da Serraria Souza Pinto, em BH, pelos próximos 20 anos, a partir de 2024, se comprometendo com investimentos mínimos de R$ 7 milhões.
Em São Paulo, a Revee é uma das três participantes do contrato que deu origem à Portuguesa SAF. Pelo acordo, o futebol da Lusa seria gerido (como tem sido) pela Tauá Partners enquanto que a estrutura física do Canindé seria concedida à Revee, que transformaria o estádio em uma “arena” para 50 mil pessoas. Paralelamente, a Revee foi anunciada pela GL Events, concessionária do Anhembi, como responsável por construir uma arena multiuso próximo à concentração do Sambódromo. Os dois projetos, juntos, custariam R$ 1 bilhão, segundo a Revee.
Já com o Canindé “fechado para reforma” — o que depois se mostrou uma farsa — e a obra do Anhembi aprovada, a Revee foi lançada na B3 em maio do ano passado, com ações cotadas a R$ 6, valor que chegaria a mais de R$ 30 depois de o conselho presidido por Mansur aprovar um aumento de pelo menos 10 vezes no seu capital social: de R$ 120 milhões para pelo menos R$1,21 bilhão. Após a Operação Carbono Oculto, em agosto, o preço da ação que é que caiu mais de 10 vezes. Há dois meses tem fechado sempre abaixo de R$ 3.
Desde então, a operação da Revee tem derretido. Davantel renunciou aos cargos de vice-presidente do Conselho de Administração e de
diretor presidente e de Relações com Investidores. Seu substituto neste último cargo, Lucas Dias Trevisan, também renunciou, no fim do ano.
Anunciada em julho, a compra de 40% do capital social do clube de futebol português Marítimo da Madeira Futebol, uma SAD (a SAF dos portugueses) por 15 milhões de euros foi cancelada, assim como o aumento de capital. À coluna, a GL disse que voltou atrás e “não vai desenvolver o projeto da Arena” com a Revee, como havia anunciado. A SAF da Portuguesa também já indicou que não conta mais com a Revee no projeto, pausado porque o clube não tem a concessão de boa parte do terreno — enquanto isso não é resolvido, o Canindé foi reaberto.
Apesar da crise, Mansur, que vendeu sua participação na Reag para os antigos sócios após a Carbono Oculto, nunca deixou o conselho de administração da Revee. Pelo contrário: segue assinando como presidente do órgão.








