
Mirelle PinheiroColunas

Saiba quem é o empresário alvo da PF por ocultar dinheiro para o PCC
A PF apontu que compra e venda de ativos, como imóveis, entre empresas do mesmo grupo, eram algumas das estratégias utilizadas
atualizado
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A coluna apurou que o empresário alvo da Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (3/10), sob suspeita de contribuir para o esquema que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de investigados ligados ao comércio de combustíveis, é João Carlos Mansur (foto em destaque),
Segundo a PF, o empresário seria personagem fundamental na prática financeira que envolveu movimentações milionárias.
Mansur é fundador da Reag Capital Holding. Ele atuava na companhia de investimentos até o ínicio de setembro deste ano, mas formalizou sua renúncia ao cargo após a empresa ser alvo da megaoperação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC).
À coluna, a defesa de Mansur declarou que vem colaborando com as autoridades para o completo esclarecimento dos fatos e “tem certeza de que ficará comprovada a lisura de sua atuação profissional e pessoal.”
“A alegação de ocultação de recursos não é verdadeira e nem sequer faz parte das investigações em curso”, disse, por meio de nota.
Na ação policial, a sede da Reag, na Faria Lima, em São Paulo (SP), foi alvo de mandados de busca e apreensão.
O empresário é formado em Ciências Contábeis pela Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo (Facesp). Atuou nas áreas de auditoria e controladoria e, em seguida, fez a migração para o mercado financeiro.
Antes de fundar a Reag, trabalhou na estruturação de mais de 200 fundos de investimento (Imobiliários FII, de Participações FIP e de Direitos Creditórios FIDC). Também já teve passagens por empresas como Monsanto, PwC e WTorre.
Ele também está envolvido em negócios com clubes de futebol do Brasil e trabalhou na Trump Realty Brazil, empresa que levava o nome do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump.
Operação Quasar
A Operação Quasar tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituições financeiras.
A investigação identificou um esquema sofisticado que utilizava fundos de investimento para ocultar patrimônio de origem ilícita, com indícios de ligação com facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A estrutura criminosa operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas.
Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos.
Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos, como imóveis e títulos, entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real.
Os investigados poderão responder por gestão fraudulenta de instituição financeira; lavagem de dinheiro; além de outros delitos conexos identificados no curso da apuração
Somadas, as penas previstas podem ultrapassar 20 anos de prisão.
