Mirelle Pinheiro

“Ele era bom, e ficou mau”, contou criança abusada por professor no DF

Tiago Ferreira, professor de uma escola pública do Itapoã (DF), foi preso nessa quinta (2/10) por estuprar uma aluna de 4 anos

atualizado

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Material cedido ao Metrópoles
Tiago Alves Ferreira
1 de 1 Tiago Alves Ferreira - Foto: Material cedido ao Metrópoles

Comunicativa e sorridente, a menina Laura (nome fictício), de 4 anos, mudou seu comportamento repentinamente e passou a apresentar crises de choro, sobretudo ao aproximar-se da hora de ir à escola. Moradora do Itapoã, ela frequentava, desde o início deste ano, uma escola pública da região. Seu primeiro ano letivo, no entanto, foi marcado de maneira abrupta por um abuso sexual.

Em entrevista à coluna, a mãe da criança, que será identificada nesta reportagem pelo codinome de Maria, conta que o que antes era motivo de alegria passou a ser tortura para a menina. Todos os dias ela chorava e pedia para faltar à aula.

No último dia 16, desconfiada, a monitora do ônibus escolar que transportava a menina diariamente alertou a responsável da criança: “Tem alguma coisa muito errada com a Laura”.

Em casa, Maria chamou a filha para conversar. “Eu pensei que ela estava triste porque não via o pai há um tempo, mas quando comecei a perguntar, ela disse que não contaria pois tinha medo de eu brigar. Eu falei que não, mas ela contou que o professor disse que eu bateria nela, caso me contasse.”

Depois de muita insistência, descobriu que a filha havia sido vítima de um crime sexual dentro do local em que ela acreditava que a menina estava protegida. “Naquela hora, me deu um ‘estalo’. Eu perguntei: ‘Minha filha, alguém mexeu com você?” Resolvi tirar a roupinha dela e encontrei um pelo dentro da parte íntima da minha filha”, contou, enquanto chorava.

O responsável pelo estupro foi identificado pela Polícia Civil do Estado do Distrito Federal (PCDF) como Tiago Alves Ferreira (foto em destaque). Segundo a mãe, ele não era professor da menina, mas tinha acesso à criança nos corredores da escola.

À coluna, a Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), por meio da Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Paranoá, informou que o professor integrava o quadro de contratos temporários da rede pública desde o início do ano letivo e estava em exercício na Escola Classe 203 do Itapoã. A pasta destacou que após o recebimento da denúncia, nessa quinta (2), o profissional foi afastado imediatamente e desligado de suas funções.

O caso foi encaminhado à Corregedoria para a apuração dos fatos e adoção das medidas cabíveis.

A investigação

Após a descoberta do crime, a mãe procurou a  6ª Delegacia de Polícia (DP) (Paranoá) para registrar um boletim de ocorrência. As investigações foram iniciadas no mesmo dia, 16 de setembro.

De acordo com a responsável, o exame do Instituto Médico Legal (IML) apontou a presença de sêmen e saliva nas roupas íntimas que a criança havia usado naquele dia para ir à aula.

“Ela continuou matriculada na escola, mas deixou de ir. Eu não contei nada para a direção porque ele poderia ficar sabendo e acabaria fugindo”, explicou Maria. Dez dias depois do registro da denúncia, Laura foi transferida do centro de educação.

Tiago foi preso preventivamente na tarde dessa quinta-feira (2/10). A polícia acredita que Laura não tenha sido a única vítima.

A coluna apurou que ele fazia parte do quadro de funcionários da escola há aproximadamente dois anos. Assim como os investigadores, Maria afirma ter certeza que sua filha não foi a única criança abusada pelo homem.

Certa vez, a mãe o encontrou em um evento da escola e desconfiou do comportamento do professor. “Ele foi direto na minha filha e falou: ‘Oi, meu amor! Essa é a sua mamãe?’. Ela respondeu que sim, ele abraçou ela e não me cumprimentou. Ele interagia muito com as crianças, mas não falava com os adultos”, lembrou.

“Um dia, depois de me contar sobre o crime, a Laura disse do nada: ‘Mãe, o professor era bonzinho no começo, só depois que ele ficou mau’. Ele conquistou a confiança da minha filha para a abusar dela”, revoltou-se.

“Eu quero que divulguem ele o máximo possível porque tenho certeza que ele já fez isso com outras crianças. Ele está acostumado. Ele assustava as crianças para não contar”, disse, chorando.

A mãe contou que a menina não dorme mais sozinha e passou a urinar na cama desde que tudo aconteceu. “Mesmo tendo mudado de escola, ela chora para não ir.”

“A SEEDF reforça que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra crianças e adolescentes, e informa que a família da vítima registrou boletim de ocorrência e optou pela transferência da estudante para outra unidade escolar. A secretaria destaca ainda que a família está recebendo todo o acompanhamento necessário”, disse a pasta por meio de nota.

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