Subprefeituras relatam banheiros insuficientes no Carnaval paulistano
SPTuris deixou blocos sem banheiros e entregou menos do que prevê o contrato. Prefeitura não comenta
atualizado
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Foliões e moradores que passaram o pré-Carnaval em São Paulo observaram número de banheiros químicos muito abaixo do necessário. Ao menos duas subprefeituras relatam que isso aconteceu não só porque a gestão Ricardo Nunes (MDB) cortou 37% das diárias na comparação com o ano passado, mas também porque a SPTuris não entregou o combinado. E deixou de realizar a limpeza dos banheiros entre um dia e outro do carnaval.
Na Vila Mariana, relatórios produzidos por servidores designados a acompanhar os blocos relataram o problema. “Os banheiros químicos não foram entregues no local do bloco”, informou o fiscal do Bloco das Coelhinhas. O supervisor que foi ao Doentes da Sapucaí relatou que o bloco “operou sob risco de saúde, higiene e infraestrutura, pela falta de banheiros e ambulâncias, e de segurança, pela ausência das forças de segurança e fiscalização“.
No Bloco da Grande Família, o combinado era que os banheiros químicos chegariam na madrugada, mas foram entregues apenas às 15h após “muitas cobranças” por parte de uma servidora da prefeitura. O bloco começou às 13h.
O problema não se restringiu à Vila Mariana. Na Lapa, de acordo com um servidor, o número de banheiros entregues foi um tanto abaixo do planejado. No trajeto do Bloco Leopoldina, na Vila Leopoldina, deveriam ter sido instalados 20 banheiros químicos, mas só oito foram entregues pela empresa contratada pela prefeitura. O próprio bloco contratou outros oito.
Também na região da subprefeitura da Lapa, um bloco infantil recebeu quatro banheiros modelo “stand” na Rua Mário Cardoso. Documento obtido pela coluna mostra que foram contratados oito “stand” e um modelo “PCD”. Até o ano passado, o local costumava receber ao menos 20 unidades. Ao longo do trajeto do Passaram a Mão na Pompéia, não havia nenhum banheiro, como era padrão em anos anteriores.
Na Barra Funda, no sábado (7/2), a concentração do Bloco do Amor Barato contava com dois banheiros químicos, somente. Diante da fila, foliões passaram a urinar em uma viela. Um morador acionou a Polícia Militar, que deteve um homem por atentado violento ao pudor – ele acabou liberado sem ser levado à delegacia de polícia.
Na região da Consolação, moradores reclamaram de foliões urinando em via pública no domingo, quando o Bloco da Skol e o Baixo Augusta reuniram enorme público. “Tivemos relatos de muito cheiro de xixi. Só tinha banheiro na Consolação, muitos foram destruídos. A quantidade foi insuficiente. Deveria ter acesso a banheiros nas ruas fechadas ao redor”, diz Marta Lilia Porta, do Conseg Consolação/Higienópolis.
Procurada na quarta-feira (11/2) para comentar os fatos narrados nesta reportagem, a prefeitura de São Paulo não respondeu. A coluna perguntou se a situação preocupa, quantos banheiros foram contratados e quantos foram entregues no pré-Carnaval e qual a justificativa para o número reduzido relatado por foliões, subprefeituras e moradores. O espaço segue aberto.
























