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Demétrio Vecchioli

Carnaval de Rua de SP terá 37% menos banheiros químicos em 2026

Prefeitura contratou 15,3 mil diárias de banheiros químicos este ano, ante 38,5 mil no ano passado

05/02/2026 02:00
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Imagem: reprodução
Pessoas amontoadas em frente ao banheiro público

O Carnaval de Rua de São Paulo de 2026 terá 37% menos banheiros químicos do que teve no ano passado. Depois de contratar 24 mil diárias em 2025, a São Paulo Turismo (SPTuris) tem recursos para a contratação de no máximo 15,3 mil locações na festa que começa no próximo sábado e, oficialmente, dura oito dias. Em 2020, último ano antes de Ricardo Nunes (MDB) assumir a prefeitura, como comparação, foram utilizadas 21 mil diárias.

Quando a análise é pelo contrato em si, o corte é ainda maior. Em 2025, a SPTuris fechou um acordo que previa até 38,5 mil locações de banheiros químicos ao longo do período de Carnaval, mas, questionada pela coluna, a prefeitura disse que só foram efetivamente utilizadas 24 mil diárias.

Desta vez, no acordo de repasse de recursos da prefeitura (via Secretaria Municipal de Governo) à SPTuris para a infraestrutura do carnaval de rua só existe previsão de contratação de um máximo de 15,3 mil diárias. O contrato não abre margem para ampliação do escopo à medida que tem como cláusula “a fiel e integral realização dos serviços nos termos em que foram expressamente solicitados”.

Na prática, isso significa que, se 2025 havia, em média, 3 mil banheiros instalados na cidade durante cada dia da folia, podendo chegar a 5 mil/dia conforme expresso em contrato, este ano serão somente 1,92 mil.

Chama atenção o valor pago pela gestão Ricardo Nunes por esses banheiros em 2025: R$ 388 pela diária. Em 2019, a gestão Bruno Covas (PSDB) o custo do serviço era R$ 123 por diária. Em 2020, no máximo R$ 203. Este ano, o aluguel foi fechado em R$ 272/diária.

Carnaval de rua custa o dobro do anunciado

A redução no número de banheiros alugados vem na esteira de um festejado corte de gastos da prefeitura de São Paulo com o carnaval de rua, ainda que em valores distintos daqueles divulgados. Como publicou o Metrópoles, a gestão Ricardo Nunes repassou R$ 42 milhões à SPTuris no ano passado e R$ 29,2 milhões este ano. Mas esses números não dão conta de todas as necessidades do carnaval de rua.

Pela versão da prefeitura, 100% dos custos são cobertos pelo patrocínio da Ambev ao carnaval paulistano, também de R$ 29 milhões – o contrato foi aditado para R$ 30 milhões depois que cervejaria optou por pagar para a prefeitura fazer a gestão de resíduos, o que era responsabilidade dela.

Mas a prefeitura tem outros gastos relevantes com o carnaval de rua:

  • R$ 15,3 milhões com ambulâncias e postos médicos;
  • R$ 8,7 milhões ações de promoção turística em blocos e estações de metrô;
  • R$ 2,5 milhões para fomento dos blocos de rua;
  • R$ 4,8 milhões com fiscalização de comércio ambulante.

Anualmente, no carnaval de rua, a prefeitura contrata cerca de 800 acionamentos do serviço popularmente conhecido como “rapa”, que envolve uma van e uma equipe de 11 pessoas terceirizadas. Pelo contrato vigente da Secretaria Municipal de Subprefeituras (SMSUB), uma diária do tipo custa R$ 6,1 mil. Daí o cálculo de R$ 4,8 milhões com fiscalização.

Só com atendimentos médicos, ações turísticas, fomento e fiscalização, o custo do Carnaval de Rua mais do que dobra em relação aos R$ 29 milhões anunciados e vai para R$ 60,7 milhões. Conforme apontou o vereador Nabil Bonduki (PT) no X, a prefeitura não costuma detalhar os valores pagos pela limpeza urbana, que tem gatilhos contratuais para pagamentos por serviços extras. Não entra na conta, também, o custo das ações da Secretaria de Direitos Humanos – no ano passado, o foram investidos R$ 519 mil com o protocolo Não Se Cale.

No Carnaval de Rua de São Paulo, cabe aos blocos bancarem a estrutura do desfile, como músicos, carro de som e corda, enquanto a prefeitura paga a infraestrutura do espaço que recebe os cortejos, como gradis, banheiros químicos, produtores e serviços médicos.

A prefeitura também lança edital de patrocínio, que costuma ter a Ambev como única participante. A cervejaria comprou por R$ 29 milhões o direito de expor dez marcas no Carnaval paulistano deste ano e de ter exclusividade na venda de bebidas. A prefeitura, então, paga por uma fiscalização voltada, principalmente, a impedir a venda de produtos que não são da Ambev.

Em nota à coluna, a prefeitura disse “realizou neste ano adequações na infraestrutura do Carnaval de Rua para otimizar a operação do evento, sem qualquer prejuízo ao padrão de excelência da festa, já confirmada em edições anteriores” e afirmou que para este ano, estão previstas inicialmente 16 mil diárias de banheiros químicos para atender todo o período de festa, que poderão ser ampliadas de acordo com a demanda. “Essa quantidade foi definida após avaliações, bloco a bloco, por parte da SPTuris”, justificou a gestão Nunes.