Nunes critica pedido de blocos por mais verba no Carnaval: “Acomodado”
Prefeito diz que blocos precisam de “empreendedorismo” e nega ampliar recursos. Capital reajustou, no entanto, valor pago a escolas de samba
atualizado
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), criticou os blocos de rua que pedem um aumento do repasse de verbas municipais para custear os desfiles do Carnaval de Rua da cidade. Em entrevista a jornalistas, nesta sexta-feira (30/1), Nunes disse que não vai ampliar os valores e que um bloco não pode “ficar acomodado” com o apoio do governo.
“A prefeitura de São Paulo incentiva que as pessoas tenham sempre o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Cada um também tem que ter a sua parte de buscar o patrocínio.”
Nunes alegou que a cidade já oferece outras ajudas aos blocos, citando a infraestrutura de banheiros químicos e limpeza, e disse que também não vai aumentar os repasses no próximo ano. Hoje, a Prefeitura de São Paulo paga R$ 25 mil a 100 blocos, mesmo valor desde 2024. O edital de repasses foi criado pela própria gestão do emedebista.
Entenda o caso
- Blocos históricos da cidade de São Paulo afirmam que correm o risco de não desfilar neste ano por causa dos altos custos de produção do evento e da dificuldade em conseguir patrocínios.
- Uma crítica comum entre os organizadores dos desfiles é de que o valor de fomento pago pela Prefeitura de São Paulo é insuficiente para bancar, por exemplo, os carros de som.
- Os blocos também alegam que a procura por patrocínio tem sido dificultada pela presença dos megablocos que acabam atraindo mais marcas.
- O Sargento Pimenta, famoso por tocar músicas dos Beatles, já anunciou a suspensão do desfile deste ano.
- O bloco feminista Pagu diz que não tem certeza se conseguirá sair.
A escolha de Nunes por não reajustar os valores destoa da posição adotada pela Prefeitura de São Paulo com as escolas de samba paulistanas. O colunista do Metrópoles Demétrio Vecchioli mostrou que o valor dos repasses para as agremiações subiu em mais 10%, do ano passado para este ano, passando de R$ 61,5 milhões a R$ 68,2 milhões.
Além disso, o próprio valor recebido pela administração municipal pelo patrocinador do Carnaval de rua da cidade, a Ambev, aumentou de 2025 para 2026, saindo de R$ 27,8 milhões para R$ R$ 29,2 milhões.
Questionado pelo Metrópoles sobre o tema, Nunes disse que prefere atender mais blocos do que aumentar o valor ofertado a cada um deles.
“A Prefeitura bancar tudo é muito cômodo, não é por aí. Eu tenho falado para o Tomate [Renato Remondini, presidente da Liga das Escolas de Samba]: eles também têm correr atrás, de patrocínio, de ações. […] A gente tem que criar essa cultura de não achar que tem que ficar tudo nas costas da Prefeitura”, disse o prefeito.
O Carnaval de rua em São Paulo tem a previsão de 627 desfiles de blocos — o número final ainda pode mudar. A prefeitura diz que tem a expectativa de que a festa injete R$3,4 bilhões na economia da cidade e reúna 16,5 milhões de foliões no total.



















