Prefeitura de SP corta R$ 12 milhões do orçamento do Carnaval de Rua
Gestão Ricardo Nunes reduz de R$ 42,5 milhões para R$ 30,2 milhões investimento em infraestrutura do Carnaval de Rua de São Paulo
atualizado
Compartilhar notícia

A Prefeitura de São Paulo cortou R$ 12,3 milhões do orçamento voltado para custear as despesas com infraestrutura do Carnaval de Rua de São Paulo. Em 2026, a gestão Ricardo Nunes (MDB) investiu R$ 42,5 milhões no evento. Neste ano, o repasse ficará em R$ 30,2 milhões e será pago integralmente com a verba do patrocinador da festa.
Os valores foram confirmados, na sexta-feira (30/1), pelo CEO da SPTuris, a empresa de turismo da capital paulista, Gustavo Pires. Ao Metrópoles, ele justificou a redução de investimentos como uma “adequação na operação como um todo”.
“Ano passado a gente teve vários trajetos que não tiveram o público que era esperado. Então, por exemplo, Av. Luiz Dumont Villares, a gente extinguiu. Por quê? Porque não teve público. […] É uma adequação natural. No processo a gente vai tendo um aprendizado”, disse Gustavo.
Os gastos com infraestrutura envolvem a verba utilizada, por exemplo, na contratação de banheiros químicos e gradis, e o repasse de R$ 2,5 milhões feito aos blocos de rua – 100 blocos recebem R$ 25 mil da Prefeitura.
O Metrópoles questionou ao CEO se a redução não poderia impactar negativamente a organização do Carnaval neste ano, mas Gustavo negou. Segundo ele, a decisão foi tomada em conjunto por “todos os órgãos” envolvidos no Carnaval, que estaria “totalmente seguro”.
Pela primeira vez, os R$ 30,2 milhões utilizados para financiar a infraestrutura da festa deste ano serão pagos integralmente pelo patrocinador do evento, a Ambev. A reportagem apurou que, do total pago pela Ambev, a Prefeitura transferiu para as contas da SPTuris cerca de R$ 10 milhões até o momento.
Blocos pedem verba
A decisão da Prefeitura de cortar os investimentos na infraestrutura do Carnaval de rua acontece no mesmo momento em que blocos têm anunciado risco de cancelar seus desfiles por não conseguirem patrocínio de empresas. Um dos mais famosos da cidade, o Sargento Pimenta suspendeu o desfile na capital paulista neste ano após ficar sem patrocinador.
Parte dos blocos, como o feminista Pagu, defendem que a Prefeitura aumente o repasse de verbas feito aos grupos. O valor segue o mesmo desde 2024.
Nunes, no entanto, disse que não vai aumentar as verbas e que um bloco não pode “ficar acomodado” com o apoio do governo.
“A prefeitura de São Paulo incentiva que as pessoas tenham sempre o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Cada um também tem que ter a sua parte de buscar o patrocínio.”
Na última sexta, o prefeito alegou que prefere ampliar o número de blocos atendidos, “se tiver recurso”, do que aumentar os repasses. “Prefiro passar a atender 150 blocos, 200 blocos”, disse.
O edital que permitiu os repasses aos blocos foi criado pela própria gestão do emedebista em 2024. Um ano antes, a prefeitura promoveu outro edital de fomento aos blocos, com o intuito de socorrer os grupos prejudicados pela pandemia de Covid-19, com repasse maior.
Segundo os dados da própria Prefeitura, o Carnaval de rua paulistano é responsável pela geração de 50 mil empregos diretos e indiretos, e injetou R$3,4 bilhões na economia da cidade em 2025. A expectativa da gestão é que manter ou ampliar os números neste ano.



















