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Veja qual legume atua como um suplemento natural para fígado e rins
O nutricionista Felipe Costa revelou qual componente presente no legume garante apoio a saúde do fígado e rins; descubra
atualizado
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A beterraba é um legume que não só colore o prato, como também entrega benefícios importantes para a saúde. Embora sua cor seja atribuída às betalaínas, existe outro componente que age como um suplemento natural para o bom funcionamento de dois órgãos vitais para o corpo humano: o fígado e os rins.
Em entrevista à coluna Claudia Meireles, o nutricionista Felipe Costa explicou como a betaína — componente presente na beterraba — age no corpo e quais são os impactos nos dois órgãos vitais para a saúde.
Entenda
- De acordo com Felipe Costa, a betaína (ou trimetilglicina) é o principal motivo pelo qual a beterraba é considerada uma aliada da saúde hepática e renal.
- Segundo ele, o composto é um aminoácido não essencial — ou seja, o organismo é capaz de produzi-lo, mas nem sempre em quantidade suficiente para gerar os efeitos “extras” de proteção dos órgãos.
- Além da betaína, a beterraba é rica em fitonutrientes biologicamente ativos, o que aumenta ainda mais seu valor como alimento funcional
Saiba como o legume age em apoio a saúde do fígado e nos rins
De acordo com Felipe, a betaína presente na beterraba desempenha papéis fundamentais no metabolismo e na proteção celular, especialmente por atuar como “doadora” em estruturas essenciais para processos bioquímicos do corpo.

“Ela é crucial na conversão da homocisteína em metionina, tanto no fígado quanto nos rins. Isso é importante porque níveis elevados de homocisteína no sangue estão associados a maior risco de problemas cardiovasculares, doenças hepáticas e neurodegenerativas”, explica.
No fígado, a betaína contribui para diferentes situações. Um exemplo é a doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), que costuma estar associada a dietas ricas em açúcar, gordura e sedentarismo.
“A betaína age como um lipotrópico, ou seja, aumenta a oxidação de ácidos graxos livres e diminui a produção de gordura. Ela tem um efeito anti-inflamatório no órgão”, discute Felipe Costa.

No caso da doença hepática alcoólica (ALD), Felipe explica que a betaína pode prevenir a perda de glutationa e cisteína — dois importantes antioxidantes naturais do fígado — causada pelo consumo de álcool. “Isso melhora a proteção das células hepáticas e ajuda a corrigir alterações genéticas provocadas pelo álcool ao longo do tempo”, complementa.
Já em situações de lesão hepática por medicamentos, a beterraba pode ter papel de proteção. “A betaína demonstrou efeitos hepatoprotetores, como redução de enzimas hepáticas que indicam danos e aumento de enzimas antioxidantes, como a glutationa peroxidase”, destaca.
Benefícios para os rins
A atuação da betaína também estende os benefícios aos rins. “Recentemente, a beterraba passou a ser estudada como possível terapia para doenças renais crônicas. Isso porque a betaína auxilia tanto na função hepática quanto renal”, afirma o nutricionista.

Ele recomenda o consumo do alimento em diversas formas. “A ingestão da beterraba, inclusive em sucos, é uma maneira eficiente de obter esse composto funcional”, orienta.
Combinações poderosas
O especialista em nutrição destaca que o composto atua em conjunto com outros nutrientes, como a colina e as vitaminas do complexo B — fortalecendo, ainda, a saúde cardiovascular.
“Combinar beterraba com alimentos ricos em colina, como ovos, carnes, peixes e laticínios, pode potencializar seus efeitos. Essa sinergia ajuda o corpo a manter o equilíbrio metabólico, principalmente em quem consome pouco folato ou ingere álcool em excesso”, diz.
Essas combinações ajudam a manter o equilíbrio metabólico e podem ser especialmente importantes para pessoas com ingestão inadequada de folato ou com hábitos como o consumo excessivo de álcool.
Contraindicações
Apesar dos benefícios, a betaína exige atenção quando usada em forma de suplemento. Felipe alerta que doses acima de 4 gramas por dia podem aumentar o colesterol total no sangue. “O ideal é que a suplementação só ocorra com orientação profissional”, pondera.

Pessoas com doenças renais ou diabetes devem ter cautela, pois a substância pode se acumular no organismo. “Embora seja considerada segura em doses adequadas, ainda são necessários mais estudos clínicos para confirmar sua eficácia em determinados contextos de saúde”, conclui.
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