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Ortopedista explica por que capsulite adesiva é comum na menopausa
O “ombro congelado” ou capsulite adesiva atinge mulheres em idade de menopausa e tem relação com índices hormonais
atualizado
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Com uma dor que começa discreta, mas que aos pouco evolui para a perda de mobilidade dos braços, a capsulite adesiva é conhecida popularmente como “ombro congelado” e atinge especialmente mulheres na faixa etária entre os 40 e 60 anos. Não supreendentemente, famosas como Amy Poehler, Jenna Bush Hager e Teri Hatche são algumas das celebridades que relacionaram essa condição com a chegada da menopausa.
Em busca de entender se essa relação realmente faz sentido, a coluna Claudia Meireles procurou o ortopedista Montaury Palhares, do Hospital Santa Lúcia Gama, que afirma que 70% dos casos da capsulite adesiva atingem as mulheres na fase da menopausa.
“Não é coincidência”, afirma o especialista. “É justamente o período em que os níveis de estrogênio começam a cair de forma mais acentuada”.

O médico destaca que a capsulite adesiva ocorre quando a cápsula que envolve a articulação do ombro inflama, engrossa e se contraí, o que pode ocasionar dor na paciente e rigidez progressiva.
“A pessoa perde a mobilidade, fica com dor e não consegue mexer o braço normalmente. É por isso que chamam de ‘congelado’: porque o movimento fica realmente limitado”, destaca Montaury Palhares.
Capsulite adesiva e estrogênio
O ponto central dessa relação está no papel do estrogênio. O médico destaca que o hormônio atua diretamente nos tecidos conjuntivos ao manter a qualidade do colágeno, reduzir inflamações e prevenir a fibrose.
“Quando os níveis caem, como na menopausa, essa proteção desaparece. Sem o estrogênio, o tecido fica mais inflamado, mais propenso a ficar rígido e a desenvolver fibrose. Recentemente foi descoberto que o estrogênio bloqueia uma via molecular chamada PI3K-Akt, que é responsável por ativar as células que causam fibrose”, explica o ortopedista.
Além da menopausa, outras condições como diabetes e alterações na tireoide também aumentam o risco. “Se a paciente tem diabetes, o risco é bem maior, pois a glicose alta no sangue danifica o colágeno, proteína que dá estrutura aos tecidos e isso deixa tudo mais rígido e propenso a inflamar”, exemplifica Montaury Palhares.

Tratamento
O quadro evolui em três fases (congelamento, congelada e descongelamento) e pode ser tratado com sessões de fisioterapia ou uso de fármacos. “No total, pode levar de 2 a 3 anos desde o começo até a recuperação completa”, alerta o médico.
Para o especialista, reconhecer o ombro congelado como uma possível manifestação associada à menopausa é fundamental para melhorar a qualidade de vida da mulher. Dor persistente e limitação de movimento não devem ser naturalizadas como “parte da idade” e identificar precocemente a condição permite iniciar tratamento adequado.

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