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Neurologista cita 7 suplementos populares que não protegem o cérebro
Neurologista revela os sete suplementos populares que podem fazer mal à saúde do cérebro, ao contrário do que é propagado
atualizado
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Quando se trata da saúde do cérebro, a procura por suplementos, extratos e compostos naturais que prometem turbinar a memória, melhorar o foco e proteger contra doenças como o Alzheimer tem ganhado cada vez mais espaço.
Com o boom das buscas por estratégias para fortalecer órgão mais complexo do corpo, a coluna Claudia Meireles conversou com o neurologista Eduardo Chaves para entender o que realmente funciona e o que pode ser apenas uma promessa de marketing.

A resposta do especialista em neurologia e medicina da dor é surpreendente: a maior parte das substâncias vendidas como “nootrópicos” ou “neuroprotetores” carece de comprovação científica. “Algumas, inclusive, podem causar efeitos adversos ou riscos relevantes”, alerta Eduardo.
Veja quais são os suplementos populares que não funcionam para a saúde do cérebro
DHEA (dehidroepiandrosterona)
O primeiro composto citado pelo neurologista é o DHEA. O suplemento é fabricado a partir de um hormônio esteroide produzido naturalmente pelo corpo.

De acordo com Eduardo, a substância vendida como um modulador homornal e frequentemente associada a benefícios antienvelhecimento e pelo seu papel na saúde do cérebro não vale o investimento.
“Não melhora a memória e, ainda, pode alterar o eixo hormonal, aumentando o risco de tumores hormonossensíveis”, alerta.
Vitamina E
A vitamina E se popularizou como uma estratégia antioxidante para o corpo e aliada da longevidade. Contudo, o médico alerta que o uso indiscriminado pode ter o efeito oposto ao desejado.

“Doses acima de 400 UI por dia foram associadas ao aumento do risco de mortalidade e sangramentos, como demonstrado em estudos de larga escala. Ou seja, longe de ser um escudo para o cérebro, o excesso pode representar uma ameaça silenciosa à saúde”, alerta.
Vitaminas do complexo B
Muito procuradas por quem deseja reforçar a energia e a saúde neurológica, as vitaminas do complexo B nem sempre são inofensivas.

O expert revela que o uso sem necessidade comprovada, especialmente da vitamina B6 em doses elevadas, pode causar danos aos nervos periféricos do cérebro.
“A vitamina B12 também carece de atenção. Ela só deve ser usada com diagnóstico de deficiência da vitamina e, claro, com acompanhamento profissional”, salienta Eduardo Chaves.
DMAE (Dimetilaminoetanol)

Propagado como estimulante mental e “reforço para o foco”, o DMAE é, de acordo com Eduardo, mais promessa do que, de fato, ciência. “Não temos ensaios clínicos robustos que sustentem essa ação. A FDA — a agência federal dos Estados Unidos responsável pela segurança e eficácia de alimentos, medicamentos, cosméticos, entre outros —, não aprova o uso do suplemento como um neuroprotetor. Ela pode causar insônia, irritabilidade e elevação da pressão arterial“, explica o neurologista.
Huperzina A

Derivada de uma planta chinesa, a Huperzina A é vendida como inibidor de enzimas que degradam neurotransmissores importantes. No entanto, segundo o especialista, os estudos que avaliam sua eficácia são frágeis.
“O uso pode provocar efeitos colaterais como náusea, batimentos cardíacos lentos e distúrbios do sono”, pontua.
Vinpocetina

A vinpocetina é um suplemento extraído da planta Vinca Minor. De acordo o médico, o composto ganhou fama por, supostamente, melhorar o fluxo sanguíneo cerebral. Entretanto, os efeitos para o órgão são pouco expressivos.
“Apesar da promessa, não há evidência científica sólida que comprove esse benefício. Inclusive, sua venda é proibida nos Estados Unidos devido a riscos para a saúde do coração“, alerta.
Coenzima Q10

Conhecida por seu papel na produção de energia celular, a coenzima Q10 é vendida como aliada da mente ativa. Contudo, Eduardo Chaves esclarece que os benefícios da substância não têm respaldo cietífico quando o assunto é melhorar a memória ou cognição em pessoas saudáveis.
“Seu uso é mais indicado para condições específicas, como alguns casos de Parkinson precoce ou doenças musculares hereditárias”, esclarece.
Então, o que realmente ajuda a proteger o cérebro?
Segundo Eduardo, a resposta está nos bons e velhos hábitos. A atividade física regular, por exemplo, é uma das formas mais eficazes de promover saúde cerebral. “Exercícios físicos aumentam os níveis de BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro), substância que promove a formação de novas conexões neuronais e protege o cérebro contra o envelhecimento”, ressalta.
Outros pilares incluem sono de qualidade, estímulo cognitivo ativo, como leitura, aprender novos idiomas ou tocar instrumentos, alimentação baseada na dieta mediterrânea, meditação e correção de perdas auditivas e visuais. Além disso, o neurologista chama atenção para o controle doenças como hipertensão e diabetes, que são “vilões” silenciosos da cognição.
“Cuidar do cérebro é uma jornada de escolhas diárias e não um milagre de laboratório. A ciência não oferece atalhos, mas mostra caminhos sólidos para quem deseja envelhecer com lucidez, autonomia e dignidade”, conclui o médico.
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