
Claudia MeirelesColunas

Não é doença da tireoide! Médico explica o que é o hipoparatireoidismo
Especialista ouvido pela coluna explica os sintomas do hipoparatireoidismo e os desafios para o diagnóstico precoce
atualizado
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Frequentemente confundido com problema da tireoide, o hipoparatireoidismo é na verdade uma doença rara relacionada às glândulas paratireoides. Segundo o nefrologista e pediatra Enzo Ricardo Russo, a condição é causada pela produção insuficiente do paratormônio ou PTH, responsável por regular os níveis de cálcio e fósforo no corpo.
A condição pode aparecer depois de cirurgias na tireoide, por condições autoimunes e deficiência grave de magnésio. “As glândulas paratireoides ficam localizadas atrás da tireoide, na região do pescoço, e muitos casos surgem após cirurgias tireoidianas. Apesar da proximidade, são glândulas diferentes e com funções distintas”, explica Russo, gerente médico da Adium Brasil.

O que o hipoparatireoidismo causa
Quando o corpo passa a produzir quantidades insuficiente de PTH, o paciente pode apresentar sintomas específicos, como formigamento ao redor da boca, nas mãos e nos pés, além de cãibras e contrações musculares involuntárias.
“Em casos mais graves, podem ocorrer convulsões. É importante procurar avaliação médica sempre que esses sintomas forem persistentes, especialmente após cirurgias na tireoide ou nas paratireoides”, afirma nefrologista.

Fadiga persistente, dificuldade de concentração, alterações cognitivas e ansiedade são sintomas que também podem ser percebidos e afetar diretamente a qualidade de vida do paciente, mesmo quando os exames laboratoriais indicam níveis controlados de cálcio.
“É comum acreditar que, se o cálcio estiver dentro da faixa desejada, a doença está necessariamente controlada. Atualmente sabemos que sintomas, qualidade de vida, função renal e outros parâmetros também devem ser considerados na avaliação do paciente. Além disso, essa é uma doença que afeta não apenas os níveis de cálcio, e sim diferentes órgãos e sistemas do corpo”, destaca.
Importância do diagnóstico precoce
Como se trata de uma doença rara, o médico Enzo Ricardo Russo destaca que o tempo de diagnóstico pode variar bastante, sendo muitas vezes limitado ao profissional especializado e ao pedido de exames complementares.

O risco é que, sem o diagnóstico adequado, o hipoparatireoidismo pode comprometer significativamente a qualidade de vida e favorecer complicações crônicas como alterações renais, hipercalciúria, nefrolitíase, nefrocalcinose e doença renal crônica. “Podem ocorrer manifestações neurocognitivas, impacto significativo na qualidade de vida e dificuldades nas atividades do dia a dia”, conclui.
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