
Claudia MeirelesColunas

Médico revela 4 nutrientes essenciais para a tireoide e o metabolismo
Cansaço, queda de cabelo e alterações no peso podem indicar problemas na tireoide; nutrientes ajudam no metabolismo a regular os hormônios
atualizado
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Pequena no tamanho, mas essencial para o funcionamento do organismo, a tireoide exerce papel central na regulação do metabolismo e da produção de energia. Quando há algum desequilíbrio, o corpo costuma dar sinais — muitas vezes ignorados —, como cansaço persistente, alterações no peso, queda de cabelo e mudanças de humor.
Dados da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia indicam que distúrbios na tireoide são relativamente comuns, especialmente a partir dos 45 anos, podendo afetar cerca de 15% da população nessa faixa etária.
Segundo o endocrinologista Ramon Marcelino, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, a alimentação é um dos pilares para o bom funcionamento da glândula.
“Alguns micronutrientes são fundamentais para que a tireoide consiga produzir e utilizar corretamente seus hormônios. Na maioria das vezes, uma alimentação equilibrada já fornece esses nutrientes nas quantidades adequadas”, explica.

Quatro nutrientes essenciais para a tireoide
Entre os principais aliados da saúde tireoidiana, quatro nutrientes se destacam por atuarem diretamente na produção, ativação e regulação dos hormônios.
Iodo: base da produção hormonal
O iodo é indispensável para a síntese dos hormônios T3 e T4, responsáveis por regular o metabolismo. Sem ele, a tireoide não consegue desempenhar adequadamente sua função.
“Uma pequena quantidade de sal iodado na alimentação diária costuma ser suficiente”, orienta o especialista.
O nutriente também está presente em peixes, frutos do mar e laticínios. A recomendação média é de 150 microgramas por dia.
Selênio: ativação e proteção da glândula
O selênio participa da conversão do T4 em T3, sua forma ativa, além de atuar como antioxidante, protegendo a tireoide contra danos.
A castanha-do-pará é a principal fonte, e uma a duas unidades por dia geralmente já atendem à recomendação de cerca de 55 microgramas.
“Ele ajuda a proteger a glândula contra processos inflamatórios e melhora a eficiência hormonal”, diz Marcelino.

Ferro: essencial para a síntese hormonal
O ferro tem papel importante na ação de enzimas envolvidas na produção dos hormônios tireoidianos. Sua deficiência pode comprometer esse processo, especialmente em mulheres.
Está presente em carnes vermelhas, fígado, feijão, lentilha e vegetais verde-escuros. A ingestão recomendada é de 8 mg por dia para homens e 18 mg para mulheres em idade fértil.

Zinco: regulação e equilíbrio hormonal
O zinco atua na regulação dos hormônios da tireoide e no funcionamento de seus receptores, além de contribuir para o sistema imunológico.
Pode ser encontrado em carnes, frutos do mar, castanhas, sementes e grãos integrais. A recomendação diária gira em torno de 8 mg para mulheres e 11 mg para homens.
Alimentação equilibrada faz diferença
Embora fatores genéticos e doenças autoimunes também estejam envolvidos nos distúrbios tireoidianos, a alimentação pode contribuir para o equilíbrio da glândula.
“A tireoide não depende de um único nutriente, mas de um conjunto. Por isso, dietas muito restritivas ou desequilibradas podem impactar negativamente seu funcionamento”, destaca o endocrinologista.
O especialista também faz um alerta para o excesso. “O consumo exagerado de iodo ou selênio pode ser prejudicial e levar a disfunções. O uso de suplementos sem orientação médica pode causar mais prejuízo do que benefício”, afirma.

Quando a tireoide sai do equilíbrio
As alterações mais comuns envolvem o hipotireoidismo, quando há produção insuficiente de hormônios, e o hipertireoidismo, caracterizado pelo excesso. Também podem surgir nódulos, que nem sempre apresentam sintomas, mas em alguns casos causam aumento na região do pescoço.
Os sinais de alerta incluem:
- Cansaço excessivo;
- Alterações de peso sem causa aparente;
- Queda de cabelo e pele seca;
- Sensação de frio ou calor constantes;
- Ansiedade ou batimentos acelerados;
- Dificuldade de concentração;
- Sonolência frequente;
- Presença de caroço no pescoço.

Diagnóstico e acompanhamento
Diante de sintomas persistentes, a recomendação é procurar avaliação médica. O diagnóstico costuma ser feito com exames simples de sangue, como TSH, T4 livre e T3.
“Quando identificadas precocemente, a grande maioria das alterações da tireoide tem tratamento eficaz e bom controle”, destaca Ramon Marcelino.
Manter uma alimentação variada, rica em alimentos naturais, e buscar acompanhamento médico quando necessário são estratégias fundamentais para preservar a saúde da tireoide e garantir o equilíbrio do metabolismo.
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