Claudia Meireles

Maternidade tardia: como funciona a técnica de congelamento de óvulos

Assunto foi reaceso depois que a atriz e apresentadora Erika Januza revelar que tentou congelar óvulos aos 40 anos, mas sem sucesso

atualizado

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Grávida - Metrópoles
1 de 1 Grávida - Metrópoles - Foto: Getty Images

Recentemente, a atriz e apresentadora Erika Januza revelou no programa Saia Justa, do canal GNT, que tentou congelar óvulos aos 40 anos, e não obteve sucesso. Segundo a famosa, por diferentes razões, ela nunca encontrava o momento ideal para ser mãe, e, com isso, foi adiando o projeto. Contudo, há dois anos, pretendeu fazê-lo.

“Quando eu resolvi, ele [médico] falou ‘você sabe que, agora, o risco de não dar certo é maior’. E eu fui sabendo que o risco era maior, e não deu certo. Todo processo que você passa, aquelas injeções… Não é um processo que é para todo mundo, porque é um processo caro […] Demanda muito de você emocionalmente, financeiramente, fisicamente”, declarou a artista.

“Eu fiz e fui feliz por ter tentado. […] Também fico pensando: será que nunca vou ter a minha continuação no mundo? Eu tenho um pouco desse dilema, mas […] sempre acho que Deus sabe de todas as coisas”, continuou.

O relato repercutiu na internet e reacendeu o debate sobre fertilidade, especialmente porque a maternidade tardia tem sido cada vez mais comum. Dados do IBGE apontam que o número de mulheres que tiveram filhos após os 40 anos subiu 16,8% entre 2018 e 2023, enquanto o grupo entre 35 e 39 anos apresentou crescimento de 46% nos últimos 13 anos.

Felizmente, nos dias de hoje, as chances de se ter um filho um pouco mais tarde aumentaram, graças, principalmente, ao congelamento de óvulos, técnica que exige planejamento e informação de qualidade. E até quando é possível adiar o sonho de ser mãe?

Barriga de mulher grávida - Metrópoles
A maternidade tardia tem sido cada vez mais comum

De acordo com a ginecologista Graziela Canheo, especialista em reprodução humana, o interesse pelo congelamento de óvulos tem crescido de forma significativa nos últimos anos. “Esse aumento está diretamente relacionado à maior conscientização das mulheres sobre a relação entre idade, qualidade e quantidade de óvulos, além da disseminação de informações confiáveis sobre o tema”, diz à coluna.

“Hoje, cada vez mais mulheres buscam o congelamento como uma forma de preservar a fertilidade e planejar a maternidade de acordo com seu momento de vida”, esclarece a médica.

Para a também ginecologista Paula Fettback, especialista em reprodução humana pela Febrasgo, o tratamento proporciona maior autonomia sobre as decisões relacionadas ao futuro reprodutivo e planejamento familiar. “Ele oferece às mulheres maior liberdade de escolha”, afirma.

“Como o relógio biológico não falha, muitas mulheres se sentem pressionadas acima de uma certa idade. O problema é que, muitas vezes, o momento ideal, o parceiro ideal ou até o desejo de maternidade não coincidem com o melhor momento que elas estão vivendo — e o congelamento pode reduzir esta pressão”, explica a profissional, frisando que o método jamais garante uma gestação futura, mas é, sim, uma possibilidade.

Paula enfatiza que, embora a ciência tenha evoluído muito, ainda não é capaz de reverter o impacto da idade nos óvulos. “É inegável que quanto mais jovem a mulher estiver ao congelar, maiores são as chances de sucesso. Após os 40 anos, a taxa de sucesso do procedimento cai significativamente”, pontua.

Médica ginecologista atendendo paciente em consultório - Metrópoles
O interesse pelo congelamento de óvulos tem crescido de forma significativa nos últimos anos
Até os 35 anos, a taxa de sucesso com óvulos congelados corresponde a 60% a 80%. Já entre 36 e 40 anos, cai para 20% a 50%. Após os 40, menos de 20% das tentativas são bem-sucedidas.

Conheça a técnica de congelamento de óvulos

O método leva em torno de 14 dias, período em que a paciente passa por indução hormonal, coleta por punção, seleção e o congelamento de óvulos com nitrogênio líquido. Apesar de delicado, o processo é rápido e seguro. “Quanto antes for iniciado, melhor o prognóstico”, salienta Graziela Canheo.

Além da idade, a quantidade de óvulos também influencia diretamente a possibilidade de futura gestação. Portanto, é comum haver a necessidade de mais de uma rodada de estimulação para conseguir congelar a quantidade ideal (entre 15 a 20 óvulos maduros).

“A técnica pode não ter o resultado esperado, principalmente em situações de baixa reserva ovariana, que pode acontecer em qualquer idade, porém, se torna mais frequente e impactante após os 40 anos”, revela a ginecologista.

“Existem casos raros em que a paciente não responde de forma adequada à medicação de estimulação ovariana ou, mesmo após o estímulo, durante a punção não é possível captar nenhum óvulo”, acrescenta.

Foto colorida de congelamento de óvulos - Metrópoles
O congelamento de óvulos é um procedimento para garantir que mulheres possam programar a gravidez sem impedimento de idade

Paula Fettback esclarece que a média de tentativas para se conseguir engravidar com o procedimento depende de dois fatores: idade do óvulo e número de óvulos congelados.

 “Em média, uma mulher com até 35 anos de idade precisa de aproximadamente 14 óvulos congelados para obter em torno de 70 a 80% de gestação. Já uma mulher de 39 anos, por exemplo, precisará de 35 óvulos congelados mais ou menos para obter estas taxas”, conta.

Segundo a especialista, outros fatores de risco, como doenças prévias e antecedentes pessoais e familiares, também devem ser considerados. “Cada caso é um caso. O principal fator a ser considerado é, sem dúvida, a idade do congelamento”, reitera.

Custos e efeitos colaterais

O procedimento completo, com medicamentos e coleta, pode custar entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, além da taxa anual de manutenção do material. Para Graziela, esse investimento envolve não apenas questões financeiras, como também preparo emocional. Por isso, é importante que a paciente receba orientações realistas desde o início. “A decisão de congelar não deve vir sob pressão ou desespero, mas sim com planejamento”, reforça.

No que diz respeito aos efeitos colaterais, a estimulação hormonal (como parte do processo) pode causar efeitos como retenção de líquido, dores de cabeça, instabilidade emocional e desconforto abdominal. “Esses sintomas costumam desaparecer após o término do ciclo hormonal. Em geral, é um processo bem tolerado e temporário”, tranquiliza Paula.

Médico fazendo exame ultrassom em mulher grávida - Metrópoles
Apesar de delicado, o congelamento de óvulos é um processo rápido e seguro

Afinal, qual é a idade máxima para engravidar?

A resposta, assegura a ginecologista, não existe. “Hoje, mulheres saudáveis podem gestar até seus 50 anos ou mais. A doação de óvulos, caso não exista óvulos congelados, é uma opção, principalmente acima dos 43/45 anos”, argumenta.

“Uma avaliação médica multidisciplinar deve ser realizada, entretanto, não existe um limite estabelecido por lei e/ou pela medicina. O importante sempre é fornecer todas as informações necessárias à paciente e ela estar sempre bem assistida durante todo o pré-natal e puerpério”, finaliza.

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