Cientistas descobrem complexo de DNA ligado à fertilidade e ao câncer
STAG3-coesina pode ser a chave para a organização do DNA, a produção de espermatozoides e para novas estratégias no combate ao câncer

Cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, descobriram um novo complexo proteico capaz de organizar o DNA em três dimensões dentro das células-tronco espermatogônias (CTEs), responsáveis por gerar os espermatozoides. Esse mecanismo garante que o DNA seja corretamente dobrado e estruturado para o desenvolvimento celular.
A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (25/8) na revista Nature Structural & Molecular Biology, mostrou que sem o STAG3, essas células-tronco não conseguem se diferenciar adequadamente. Isso prejudica a formação dos espermatozoides e, em testes com camundongos, resultou em problemas de fertilidade, evidenciando a importância do complexo na reprodução.
O estudo revelou que, em humanos, o STAG3 é altamente expresso em células B do sistema imunológico e em linfomas de células B (um tipo de câncer no sangue). O bloqueio dele diminui o crescimento dessas células, sugerindo que o STAG3 pode ser um alvo promissor para futuras terapias contra o câncer.

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Ver todasOrganização do DNA e função do novo complexo proteico
Dentro de cada célula, o DNA, que mede cerca de 2 metros se esticado, precisa ser dobrado e armazenado de forma altamente organizada. Para isso, ele é dividido em regiões separadas por limites que determinam quais genes são ativados ou silenciados.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaOs complexos de coesina, proteínas em forma de anel, são responsáveis por criar esses limites. Antes desta pesquisa, acreditava-se que existiam apenas dois tipos principais: coesinas mitóticas, ligadas à divisão celular normal, e coesinas meióticas, ligadas à formação de gametas.
O STAG3-coesina surge como um novo tipo de coesina que atua em células-tronco germinativas durante a mitose, organizando o DNA de maneira diferente e permitindo que essas células se preparem para a produção de espermatozoides.
Para entender o papel do STAG3, os cientistas criaram camundongos geneticamente modificados sem o gene STAG3. Nesses animais, as células-tronco germinativas não conseguiram avançar para os estágios seguintes da espermatogênese, prejudicando a produção de espermatozoides.
Além disso, quando os pesquisadores alteraram a quantidade de STAG3, a proporção de células-tronco nos testículos mudou, mostrando que o complexo atua como um regulador que decide quando essas células devem se transformar em espermatozoides.

Possíveis aplicações no combate ao câncer
A descoberta de que o bloqueio do STAG3 pode reduzir significativamente o crescimento de linfomas de células B abre possibilidades de exploração do complexo como alvo terapêutico em tratamentos oncológicos, especialmente em cânceres que afetam o sistema imunológico.
A pesquisa sugere que atuar sobre o STAG3 pode frear o crescimento de tumores sem comprometer outras funções essenciais das células.
A identificação do STAG3-coesina amplia a compreensão de como a organização tridimensional do DNA regula a atividade gênica e a diferenciação celular. O complexo funciona de maneira inédita, diferente das coesinas já conhecidas, e pode influenciar diretamente a proporção de células-tronco germinativas.
Além disso, estudar o STAG3 oferece insights para a biologia de células-tronco, medicina reprodutiva e estratégias contra o câncer, permitindo que cientistas desenvolvam intervenções mais precisas em processos celulares críticos.
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