
Claudia MeirelesColunas

Lipedema: médico ensina a detectar sintomas e indica tratamentos
Ainda pouco conhecido entre as mulheres, o lipedema pode ser confundido com obesidade e com problemas circulatórios
atualizado
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O lipedema ganhou visibilidade no último ano após celebridades como Yasmin Brunet e Paolla Oliveira tornarem pública a luta contra a condição, que provoca dor, inchaço e sensibilidade na região das pernas. A doença crônica atinge majoritariamente mulheres e ainda esbarra em desafios, como a dificuldade de diagnóstico.
De acordo com o cirurgião vascular Daniel Drummond, do Hospital São Lucas Copacabana, da Rede Américas, o lipedema é uma doença é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas pernas — e, em alguns casos, nos braços —, associada a dor, sensibilidade ao toque e sensação de peso e cansaço nos membros.
Inflamações, alterações microvasculares e forte influência familiar são alguns dos fatores de risco para o desenvolvimento da doença.
“Buscar ajuda cedo faz diferença. O diagnóstico precoce reduz anos de sofrimento, evita rótulos inadequados e permite iniciar o tratamento antes que a doença avance e comprometa a mobilidade”, orienta o especialista.
Como diagnosticar o lipedema
O lipedema é comumente associado à obesidade devido ao alto volume que traz para a região das pernas, entretanto, são doenças diferentes.
O cirurgião vascular Daniel Drummond destaca que uma das principais diferenças da condição é a distribuição desproporcional e regional da gordura, com aumento simétrico das pernas e, às vezes, dos braços, geralmente poupando pés e mãos. “É comum haver dor ao toque, sensação de peso e surgimento fácil de hematomas. Mesmo com emagrecimento, essa gordura localizada tende a persistir, o que é um sinal importante de alerta”, destaca.
A avaliação clínica ainda é uma das principais formas de identificação da doença. Exames complementares podem ser utilizados para investigar condições associadas.
“Os exames entram como apoio, especialmente para excluir ou identificar doenças como insuficiência venosa, linfedema ou lipolinfedema. O ultrassom e o doppler vascular podem ser úteis em alguns casos, porém, não substituem a avaliação clínica cuidadosa”, explica.

Entre os principais alertas que devem ser considerados pelo paciente na hora de procurar ajuda estão:
- Acúmulo de gordura desproporcional nas pernas ou braços;
- Dor ou sensibilidade ao toque nessas regiões;
- Inchaço frequente, especialmente ao final do dia;
- Surgimento fácil de hematomas;
- Sensação de peso ou cansaço nas pernas;
- Dificuldade de reduzir medidas nessas áreas, mesmo com dieta e exercício.
Tratamento
O tratamento do lipedema é multidisciplinar e individualizado. Mudanças no estilo de vida são parte fundamental da abordagem. “O cuidado inclui orientação alimentar personalizada, atividade física regular, controle do peso, uso de compressão e acompanhamento multidisciplinar. Dietas com perfil anti-inflamatório podem ajudar em alguns casos, desde que bem indicadas”, orienta.
As meias de compressão e terapias de suporte também têm papel relevante. “A compressão ajuda a reduzir dor, sensação de peso e melhora a função no dia a dia. Já a drenagem linfática pode contribuir para alívio de sintomas e conforto, especialmente quando há inchaço associado, no entanto, não deve ser vista como tratamento isolado”, pontua o cirurgião vascular Daniel Drummond.

Em casos mais avançados, a cirurgia pode ser considerada. “A lipoaspiração no lipedema tem finalidade terapêutica, não estética. Ela é indicada quando há diagnóstico confirmado, sintomas importantes e resposta insuficiente ao tratamento clínico. O objetivo é remover tecido doente, aliviar a dor e melhorar a mobilidade e a qualidade de vida”, finaliza o médico.
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