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Hepatologistas explicam se magnésio ajuda a combater gordura no fígado
Os hepatologistas Rodrigo Rêgo Barros e Marta Mitiko fizeram suas considerações sobre o consumo de magnésio e o quadro de gordura no fígado
atualizado
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Um estudo divulgado pela revista científica Endocrinoly, Diabetes & Metabolism enfatizou que o magnésio ajuda a combater a gordura no fígado, condição popularmente conhecida como esteatose hepática. Diante da verificação, a coluna Claudia Meireles acionou dois hepatologistas para avaliarem a pesquisa e explicarem se, de fato, o suplemento tem esse potencial.
Vice-presidente da Sociedade de Gastroenterologia de São Paulo (SGSP), a médica Marta Mitiko, do Hospital Sírio-Libanês ,é categórica ao esclarecer se o magnésio tem propriedade para combater a gordura no fígado. “Obviamente, a resposta é não, não procede”. A especialista destaca: “Há um ponto importante aqui: o que existe até o momento são evidências observacionais.”
“Alguns estudos registraram associação entre maior ingestão e maiores níveis de magnésio no sangue com menor prevalência de esteatose hepática, o que não significa uma relação entre causa e consequência”, defende a gastroenterologista. Com o mesmo ponto de vista, o hepatologista Rodrigo Rêgo Barros, de Recife (PE), reitera ser necessário “ter atenção”.
“De fato, alguns estudos nos apontaram para a possibilidade do magnésio reduzir a gordura no fígado. Mas precisamos ter atenção. São estudos observacionais por meio dos quais não podemos tirar conclusões. As observações são que pessoas que ingeriram mais magnésio tinham menos gordura no fígado”, frisa o membro titular da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).
Marta Mitiko ainda pontua: “Mesmo que essa correlação se estabeleça com maiores graus de evidência, poderíamos considerar que maiores níveis de magnésio refletem padrões alimentares mais saudáveis e outros fatores de estilo de vida“. Rodrigo acrescenta a respeito do mineral ser encontrado em sementes, vegetais e alimentos ricos em gordura vegetal.

Ao averiguar a pesquisa, o especialista faz a seguinte indagação: “Será que foi o magnésio que melhorou o fígado dos pacientes ou simplesmente o grupo que ingeria mais do mineral também se alimentava melhor?“. O hepatologista prossegue ao reiterar que pequenos estudos mostraram que a ingestão do composto isolado não alterou a saúde hepática.
“Não digo que não serve, mas que ainda não temos evidência científica para isso. Nenhum grande guideline sobre gordura no fígado traz como recomendação o aumento do consumo de magnésio“, reforça Rodrigo.
Já Marta resume: “Não se recomenda suplementar o mineral como tratamento para esteatose hepática, porque faltam evidências científicas robustas. Nenhuma sociedade médica de especialistas indica.”

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