Entenda por que os brasileiros ficam tão emocionados na Copa do Mundo
As psicólogas Bárbara de Lara e Candice Galvão explicam por que os brasileiros ficam com os ânimos à flor da pele na Copa do Mundo
atualizado
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Os brasileiros estão de olho no calendário e no relógio em contagem regressiva para o start de mais uma Copa do Mundo, nesta quinta-feira (11/6). Bastará o arbitro apitar próximo ao centro do campo para iniciar a partida Brasil e Marrocos, neste sábado (13/6), que os torcedores da seleção canarinho deixarão a emoção tomar de conta de todo o ser. Vibrar, gritar, cantar e xingar fazem parte da “skin” brasileira ao longo dos mundiais.
A coluna Claudia Meireles também integra a trupe em que o lado torcedor aflora ao máximo nos jogos da Seleção Brasileira. Diante desse sentimento comum na temporada de bola rolando nos Estados Unidos, México e Canadá, foi necessário requisitar duas psicólogas para entender: por que o brasileiro fica tão emocionado durante a Copa do Mundo?

De acordo com Candice Galvão, do ponto de vista psicológico, a Copa do Mundo representa um dos raros momentos em que milhões de pessoas passam a compartilhar, simultaneamente, uma mesma narrativa emocional. Na avaliação de Bárbara de Lara, o futebol no Brasil não é apenas um esporte, mas sim, uma parte cultural muito forte. “O famoso país do futebol”, enfatiza.
“Quando a Copa do Mundo se aproxima, a identidade coletiva se fortalece, a percepção de que fazemos parte de um grupo e que o sucesso ou fracasso desse grupo nos pertence também. Normalmente, é uma época em que há uma anestesia, a felicidade se instala e os problemas são momentaneamente esquecidos”, analisa a psicóloga.
Em acréscimo aos apontamentos de Bárbara, Candice argumenta que a mobilização no período do mundial não ocorre apenas por causa do futebol. “Essa mobilização está profundamente relacionada à memória afetiva, à identidade e à necessidade humana de pertencimento”, defende a psicóloga clínica.

Conforme Candice, as emoções não são construídas de forma isolada, sendo “atravessadas” pela cultura, história e relações estabelecidas ao longo da vida: “No Brasil, a Copa do Mundo ocupa um lugar simbólico muito forte porque conecta gerações e desperta lembranças de encontros familiares, jogos assistidos na casa dos avós, camisas da Seleção usadas na escola, ruas decoradas e gols comemorados ao lado de pessoas importantes.”
Com mesmo ponto de vista, Bárbara de Lara salienta que a Copa do Mundo tem a memória afetiva como “forte componente”. Ela frisa: “Muitos brasileiros associam o torneio a momentos marcantes da infância — o cheiro de churrasco, a casa cheia de gente, o pai comemorando. Isso aciona o sistema límbico de forma quase automática, gerando emoções intensas antes mesmo da bola rolar.”

Segundo Candice, o campeonato proporciona algo único. “Por alguns instantes, diferenças sociais, políticas e regionais parecem perder espaço diante de uma expectativa comum. Essa sensação de fazer parte de algo maior do que nós mesmos produz uma experiência emocional muito poderosa”, argumenta a neuropsicóloga.
A especialista em psico-oncologia explica que os brasileiros não emocionam apenas com o jogo. Candice Galvão esclarece que os torcedores verde-amarelos ficam envolvidos porque a Copa do Mundo os reconecta a pessoas, histórias e lembranças de pertencimento. “Talvez a maior emoção da competição não esteja somente no futebol, mas na necessidade profundamente humana de pertencer”, finaliza.

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