
Copa do Mundo: expert explica por que o Brasil ama tanto o futebol
O futebol é uma paixão nacional capaz de provocar sentimentos de pertencimento e validação, ainda mais em competições como a Copa do Mundo

É em períodos de grandes competições como a Copa do Mundo que a paixão — que beira o fanatismo — do brasileiro pelo futebol fica mais evidente. Em um país marcado por diferenças regionais, culturais e sociais, esse esporte cria uma identidade coletiva capaz de unir milhões de pessoas em torno de um objetivo comum, uma poderosa ferramenta de pertencimento para os brasileiros. A análise é da psicóloga Cibele Santos, ouvida pela coluna.
Segundo a especialista, a forte relação emocional dos brasileiros com o futebol passa por traços psicológicos, culturais e sociais, como o desejo de fazer parte de um grupo e de compartilhar experiências coletivas. “Somos seres sociáveis que evoluíram para viver em tribos. Em uma sociedade cada vez mais dividida, onde as conexões são rápidas e virtuais, o futebol surge como um dos últimos redutos de união das massas”, afirma a psicóloga.

Apesar da estreia da Seleção Brasileira ter sido marcada por um empate em 1 a 1 com Marrocos e do sonho da sexta estrela ainda despertar dúvidas entre os torcedores, milhões de brasileiros acompanharam a partida com ansiedade, tensão e expectativa — o que na visão da expert, exemplifica esse sentimento de comunidade.
“No estádio ou no bar, pessoas de origens, classes sociais e realidades completamente diferentes dividem os mesmos sentimentos. Os neurônios-espelho fazem com que absorvamos parte das emoções das pessoas ao nosso redor. A tensão, a expetativa e a euforia acabam sendo compartilhadas pelo grupo”, completa.
Copa do Mundo: os heróis nacionais do futebol
Além desse aspecto psicológico, o futebol também ocupa uma papel social importante no Brasil. Por ser acessível e praticado nos mais diversos contextos, o esporte frequentemente produz figuras que se transformam em símbolos nacionais.

“É um esporte democrático, que pode ser jogado em qualquer lugar e sob diferentes condições. Além disso, historicamente, também se tornou uma ferramenta de ascensão social, sendo associado a reconhecimento, conquista e realização pessoal e coletiva”, observa.
De acordo com Cibele Santos, a psicologia define a relação entre torcedor, time e jogadores por meio de um mecanismo chamado autoestima por procuração. Na prática, o torcedor incorpora as vitórias e derrotas da equipe como se fossem experiências próprias.
“Quando o time ganha, o cérebro processa essa vitória como uma conquista pessoal. Existe uma sensação de validação social. Já a derrota pode ser sentida como uma perda real, o que ajuda a explicar a irritação, a tristeza e até a falta de disposição no dia seguinte”, afirma.

De acordo com a especialista, o futebol também funciona como uma válvula de escape para emoções acumuladas no dia a dia. O problema surge quando ele passa a ser a única fonte de satisfação emocional.
“Torcer, vibrar e sofrer pelo futebol é saudável e faz parte da nossa riqueza cultural. Mas há perigo quando essa relação se transforma em fanatismo, violência ou quando a saúde mental passa a depender exclusivamente de um resultado dentro de campo”, conclui.
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