
Claudia MeirelesColunas

Jovem que trocou cartas com Charles III cria enciclopédia da monarquia
Pietro Bryan recebeu as cartas de Charles III e Kate Middleton após desejar uma boa recuperação ao membros da família real
atualizado
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O jovem Pietro Bryan Nabhan Dias, de 17 anos — que recentemente trocou cartas com rei Charles III, príncipe William e Kate Middleton — agora dá mais um passo em sua relação com a coroa britânica: criou uma enciclopédia inteiramente brasileira dedicada a conteúdos da monarquia inglesa, o Monarquia Wiki.
Hospedado no Miraheze, uma plataforma que se assemelha ao tradicional Wikipédia, o projeto busca criar um espaço confiável, colaborativo e detalhado, “onde usuários podem explorar a história das casas reais, biografias de monarcas, linhas de sucessão, insígnias, ordens honoríficas e o protocolo real”, diz a descrição do site. Criado no início de 2022, atualmente a enciclopédia soma 5.698 artigos, 10.173 páginas e tem 168 colaboradores. Além disso, a página se dedica não apenas à coroa inglesa, mas também a outras monarquias pelo mundo.
A iniciativa do jovem sul-mato-grossense veio da necessidade de encontrar conteúdos da monarquia.
“Eu queria ler artigos sobre pretendentes ao trono, genealogia, casas reais e não encontrava. O objetivo nunca foi fazer algo com linguagem monarquista ou militante, mas criar um acervo organizado, enciclopédico e informativo sobre guerras, linhagens, famílias reais, títulos e temas que quase não apareciam nas enciclopédias tradicionais”, explica.
A produção do conteúdo veio acompanhada de responsabilidade — e alguns desafios: montar a estrutura da enciclopédia, configurar extensões, criar categorias, entender como funcionam os sistemas de licenças, decidir o layout. “Eu era muito jovem e praticamente tive que aprender tudo sozinho, desde montar uma base histórica consistente até desenvolver a estrutura organizacional da enciclopédia”, conta.
Pietro também precisou embasar todo o conteúdo, produzido com base em artigos científicos, obras acadêmicas e biografias, entre outros. “Selecionar fontes seguras, fugir de informações falsas que circulam sobre monarquias e garantir que cada artigo tenha qualidade, verificação e neutralidade também foi um grande desafio”, destaca.
Troca de cartas com Charles III e Kate Middleton
A curiosidade com a monarquia surgiu ainda no início da adolescência — aos 13 anos — quando fez a leitura de um artigo sobre os Orléans e Bragança, descendentes de Dom Pedro II, e teve o que define como “despertar”. O fascinava o fato de reis, rainhas e famílias reais existirem para além das histórias de fantasia. “A partir daquele momento mergulhei na história: comecei pelo Brasil Colônia, Império, República e fui até os dias atuais. Com o tempo, ampliei o interesse para outros países: França, Alemanha e Inglaterra”, conta.
Essa relação de curiosidade e fascínio também foi o que o levou a enviar a primeira carta à coroa britânica, endereçada à princesa de Gales, Kate Middleton e ao rei Charles. Na ocasião, ele estava em uma agência dos Correios com a mãe quando pensou: “Por que não enviar uma carta para a família real?”. Sua mãe o encorajou e disse que “não custaria tentar”.
A carta enviada em novembro de 2024 tinha como objetivo desejar melhoras aos membros da família real, que enfrentavam batalhas com o câncer. “Pesquisei o endereço oficial, preparei o texto e enviei sem criar expectativa apenas com a intenção de demonstrar apoio e respeito que sempre demonstrei pela família Windsor. Quando a resposta chegou, minha família ficou toda fascinada, eles nem sabiam que eu tinha enviado a carta. Mistura de orgulho e surpresa, porque ninguém imaginava que algo tão simples geraria um retorno tão especial”, relembra.

A carta que atravessou o oceano Atlântico hoje está emoldurada na parede de seu quarto. “É algo que vou guardar para minha vida inteira e mostrar no futuro para minha família quando eu tiver idoso”, garante.
Relevância
Além de reunir e organizar conteúdo, a Monarquia Wiki também foi um motor de desenvolvimento pessoal para Pietro, que conta à coluna que sua forma de falar, escrever e se comunicar mudou muito desde que começou o projeto.
“Acredito que projetos conduzidos por jovens mostram o quanto a tecnologia pode transformar nossas habilidades não só com ‘bobeira’ na internet. Além disso, um acervo digital feito por jovens quebra a ideia de que só especialistas podem produzir conhecimento relevante. Um jovem pode pesquisar com seriedade, organizar informações, criar projetos úteis e contribuir para a educação do país”, pontua.
Para ele, hoje a iniciativa representa uma produção pública, brasileira e de fácil acesso para estudantes, pesquisadores ou apenas curiosos — como ele foi um dia.
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