Andreza Matais

Kim Kataguiri quer convocar Márcio Macêdo por reunião com ONG do PCC

Deputado fez requerimento a Comissão. Macêdo tratou com ONG ligada ao PCC sobre agenda de Lula na Favela do Moinho

atualizado

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Câmara dos Deputados / reprodução
Kim Kataguiri e Márcio Macêdo: deputado quer convocar ministro por reunião com ONG do PCC
1 de 1 Kim Kataguiri e Márcio Macêdo: deputado quer convocar ministro por reunião com ONG do PCC - Foto: Câmara dos Deputados / reprodução

O deputado federal Kim Kataguiri (União-SP) pediu, nesta terça-feira (8), a convocação do ministro Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência da República) para falar sobre a reunião com a Associação da Comunidade do Moinho, ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Como revelou a coluna, a presidente da entidade, Alessandra Moja Cunha, é irmã do traficante Leonardo Monteiro Moja, o “Léo do Moinho”, integrante do PCC, preso em agosto passado. A própria sede da entidade, onde Macêdo esteve para a reunião, já foi usada pelo PCC para guardar crack e outras drogas. O local fica na Rua Doutor Elias Chaves, 20.

Além disso, Alessandra foi condenada por participação em um homicídio, em 2005, e já esteve presa por esse crime. Mesmo assim, participou de reuniões com integrantes do governo, representando a Associação da Comunidade do Moinho.

“Segundo levantamento divulgado pela imprensa, Márcio Macêdo teria se reunido com representantes da referida ONG para tratar da agenda presidencial na Favela do Moinho. Ocorre que a sede da ONG foi utilizada como depósito de drogas, segundo denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo, estando ligada ao tráfico comandado por integrantes do PCC”, escreveu Kataguiri no requerimento.

“Considerando a gravidade dos fatos relatados, é imprescindível que o ministro Márcio Macêdo esclareça os critérios que orientaram a escolha da referida associação como interlocutora do Governo Federal, bem como as medidas adotadas para apurar os vínculos com o crime organizado e evitar a institucionalização de relações com entidades suspeitas”, escreveu o deputado no pedido.

Para que o ministro seja efetivamente convocado, o pedido precisa ser pautado e aprovado na comissão por maioria simples dos votos. É possível que o pedido de Kim Kataguiri sobre Márcio Macêdo seja votado já na próxima semana.

À reportagem, Macêdo afirmou que sua reunião com a associação teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as famílias da Favela do Moinho. E acrescentou que “o diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania”.

Como mostrou o Metrópoles, moradores da Favela do Moinho têm sofrido ameaças do grupo de Léo do Moinho ao aceitar a ajuda para mudar para outro local.

Entrada na favela é “restrita” pelo PCC, diz Gaeco

A reunião de Márcio Macêdo foi realizada no dia 25 de junho. Segundo a própria agenda oficial do ministro, ele foi ao local para tratar da visita do presidente Lula (PT) e da primeira-dama, Janja da Silva, à favela, dois dias depois.

Na ocasião, o presidente Lula anunciou o pagamento de uma ajuda de custo de até R$ 250 mil para as cerca de 900 famílias que moram no Moinho e que terão de deixar o local – a área, que pertence à União, será transferida ao governo do Estado de São Paulo e transformada em um parque.

Durante a agenda, Lula posou para fotos com representantes da associação – mas não com Alessandra Moja Cunha. “Por mais que seja bonito um parque, ele não pode ser feito às custas do sofrimento de um ser humano. Vamos fazer com decência e com muita dignidade”, disse o presidente.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado de São Paulo, o acesso à Favela do Moinho é normalmente “restrito” pelo PCC. Na denúncia contra Léo do Moinho, o Gaeco afirma que a favela se tornou uma espécie de “base”, usada pelo PCC para distribuir drogas no centro de São Paulo.

Leia abaixo a íntegra da manifestação de Márcio Macêdo:

“A agenda na Favela do Moinho teve como única pauta a apresentação da solução habitacional para as 900 famílias que residem naquela localidade.

O acordo de solução habitacional para a Favela do Moinho foi construído entre o governo federal e o governo do Estado de São Paulo.

O diálogo se deu com moradores da comunidade, primeiro para a construção do acordo que tinha como objetivo a saída pacífica da favela e a destinação adequada das famílias, e depois, na véspera do ato com o presidente Lula, para a preparação da visita em si.

O diálogo com lideranças comunitárias é parte fundamental da atuação de qualquer governo comprometido com políticas de inclusão social, habitação e valorização da cidadania.

A visita à Favela ocorreu de maneira tranquila, sem incidentes, de forma transparente, inclusive com o acompanhamento da imprensa.

O acordo, além da solução habitacional, também incluiu a autorização para a continuidade da cessão do terreno pertencente à União, para o governo do Estado fazer um parque. Para isso, foram estabelecidas condicionantes vinculadas à solução habitacional, evitando situações de conflito e violência”.

Leia abaixo a íntegra da nota da Secom

“A agenda do Presidente da República na Favela do Moinho, em São Paulo, teve caráter institucional e público, voltado à escuta da comunidade e ao anúncio de políticas públicas em uma das regiões mais vulneráveis da cidade.

A interlocução com representantes comunitários é uma prática essencial de qualquer governo que atue com políticas públicas voltadas à inclusão, à moradia e à promoção da dignidade. Associações locais são formadas e escolhidas pelos próprios moradores e constituem pontos naturais de contato com o poder público.

Neste caso em específico, a interlocução com o presidente se deu por meio de Flavia Maria da Silva, liderança designada pela comunidade como porta-voz, com trajetória reconhecida e idônea.

A agenda do presidente consistiu em um ato na quadra poliesportiva da comunidade, uma visita à escola local, onde foi recebido por um coral de crianças, e a uma visita de cortesia à residência de Flavia da Silva.

A segurança do presidente, da primeira-dama e de toda a comitiva foi conduzida de forma rigorosa pelos órgãos competentes, conforme o protocolo adotado em qualquer agenda presidencial, não tendo sido identificado qualquer risco à integridade das autoridades presentes.

O governo federal reforça que atua com responsabilidade institucional, respeito às normas de segurança e compromisso com a promoção de políticas públicas voltadas à inclusão social e à melhoria das condições de vida da população.”

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