
Andreza MataisColunas

Fugitivo do 8/1 na Argentina sai de casa em domiciliar e teme cadeia. Veja vídeo
Residência autorizada para Wellington Firmino teve que ser desocupada, mas Justiça negou troca de endereço; polícia foi ao local novo
atualizado
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O motorista e piloto de motocicletas Wellington Firmino — condenado a 17 anos de cadeia no Brasil por golpe de Estado e em prisão domiciliar na Argentina — teve que deixar nesta terça-feira (9/6) a residência autorizada pela Justiça do país vizinho para ele cumprir sua pena. O motivo é que a dona do apartamento onde ele vive, na região de San Patrício e San Telmo, em Buenos Aires, pediu para ele desocupar o imóvel ontem.
No entanto, a Justiça já negou uma tentativa de mudança de endereço feita por ele antes. Firmino teme ser preso por não ocupar mais um imóvel autorizado pela 3a Vara Federal de Buenos Aires. Três policiais visitaram o fugitivo hoje por volta de meio-dia.
“Eles ligaram para o monitoramento e explicaram tudo que eu realmente fiz uma quebra de [medida] cautelar. O monitoramento vai fazer e mostrar para o juiz. O juiz vai falar se eu vou ter que voltar para a cadeia. Não sei.”
Wellington Firmino, motoboy condenado
Se ele voltar à prisão, o destino seria o Complexo Penitenciário de Ezeiza, na região metropolitana de Buenos Aires, onde ficou preso por 13 meses. Hoje, ele posou para foto com algemas ao lado dos policiais.
Aos 35 anos, Firmino vivia nesse apartamento de cerca de 50 metros quadrados até a manhã de hoje sob a “tutela” judicial de um brasileiro, com autorização da Justiça. Lá, cumpria a pena enquanto a Justiça Argentina decide se o extradita ou não para o Brasil por ter sido condenado como integrante da tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
Aluguel de R$ 4 mil pesou no bolso do preso
Mas esse tutor arranjou um negócio em outra cidade de fronteira e se mudou. Com isso, Firmino teria que pagar, sozinho, o aluguel de aproximadamente 1,4 milhão de pesos (cerca de R$ 4.6000) e ainda arranjar outro tutor autorizado pelo Judiciário. “Para quem está desempregado, é caro”, disse ele ao Metrópoles . Segundo a Justiça, ele informou um endereço novo nessa cidade de fronteira – o juiz rejeitou a ideia.
Nos últimos dias, Firmino alugou um imóvel por temporada em Buenos Aires mesmo, a três quilômetros de onde vivia, mas por um preço menor, 200 mil pesos mensais (cerca de R$ 700). Até o momento, não houve autorização da 3.a Vara Federal de Buenos Aires para esse novo local informado.
Nos últimos dias, o setor de monitoramento avisou-o que a troca de endereço estava proibida. “Nós não autorizamos”, diz mensagem de celular recebida pelo motoboy. “Deixamos registrados os movimentos e alertas e logo informaremos ao tribunal”, continua a mensagem.
Firmino disse hoje ao Metrópoles que telefonou aos agentes hoje e informou o novo endereço.. “Eles falaram para eu ir para o novo endereço as 10h, ligar o equipamento [tornozeleira] lá, ligar para eles e eles vai mandar uma viatura confirmar que estou lá. Vão fazer relatório e mandar para o juiz.” Não se sabe o que acontece depois.
Juiz negou mudança e citou risco de fuga
Em 29 maio, o juiz da 3.a Vara Federal Criminal, Daniel Rafecas, negou o pedido dos advogados do motoboy para trocar de endereço. Segundo ele, o endereço informado era perto da fronteira com o Brasil e o Paraguai. Só depois é que Firmino alugou um imóvel em Buenos Aires. Portanto, ao menos naquela data, haveria risco de fuga, segundo o juiz.
“Não há lugar para a modificação do domicílio solicitada”, escreveu o magistrado. “A medida de prisão domiciliar oportunamente concedida não importo em uma simples autorização genérica para seu cumprimento em qualquer lugar que posteriormente a defesa poderia propor, mas que foi expressamente condicionada à prévia avaliação e aprovação do domicílio concreto informado nos autos, o que motivou a intervenção do DAPVE [Departamento de Apoio a Pessoas sob Vigilância Eletrônica] e posterior validação técnica e socioambiental do imóvel situado na Avenida (…)”, justificou Rafecas
“As razões invocadas pela defesa parecem vinculadas principalmente a decisões pessoais e comerciais (…) sem que delas se desprenda a existência de circunstâncias excecpcionais”
Daniel Rafecas, juiz da 3.a Vara Federal de Buenos Aires
Ele disse ainda que a fuga do Brasil para a Argentina, o pedido de refúgio na Argentina e o pedido de endereço na fronteira com o Brasil e o Paraguai reforçam que persiste risco de fuga de Firmino. “Avaliados de maneira conjunta, permitem corroborar a existência de um risco de fuga suficientemente relevante para justificar a negativa de sua pretensão libertária.”
Fugitivo foi preso menos de um mês depois de zombar de ministro
Firmino fugiu do Brasil em 2024 quando sua condenação foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Ele pegou sua moto e fugiu para o Paraguai quando soube que os policiais estavam na porta da sua casa, em Sorocaba (SP). De lá, rumou para a Argentina.
Ele se fixou em Córdoba e chegou a gravar gravou um vídeo zombando do ministro do STF Alexandre de Moraes: “Alexandre de Moraes, eu tô aqui. Lero-lero. Você não me pega” . Ele seria preso menos de um mês depois da chacota.
O STF determinou a extradição de mais de 60 pessoas condenadas e que fugiram para o país vizinho, inclusive Firmino. As prisões começaram a ser feitas pelos argentinos em novembro de 2024.
Com isso, Firmino se juntou a um grupo de fugitivos e empreendeu nova fuga rumo aos EUA. Mas ele foi detido na fronteira com o Chile. Ficou preso de novembro de 2024 até dezembro de 2025, quando a Justiça concedeu prisão domiciliar a ele e a mais quatro brasileiros condenados pelo golpe de Estado no Brasil. Mas aí, passou a ter que pagar seu próprio aluguel e sem poder trabalhar.