
Andreza MataisColunas

CEO do Itaú posa de xerife do caso Master e vira piada na Faria Lima
Milton Maluhy atua como “xerife” do setor financeiro, enquanto Itaú é suspeito de participar da maior fraude corporativa do país
atualizado
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Recém-eleito presidente do conselho de administração da Febraban, o CEO do Itaú, Milton Maluhy, virou alvo de ironias ao assumir o discurso de defesa da “moralidade” no setor.
Em reuniões internas dos associados da Febraban, Maluhy constrange executivos de bancos e plataformas por terem distribuído títulos do Master com cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Nas últimas semanas, o executivo intensificou agendas em Brasília para se apresentar oficialmente como novo presidente do conselho da entidade.
Nestas conversas reservadas, Maluhy também responsabiliza concorrentes pela alavancagem do banco de Daniel Vorcaro.
A postura de xerife, porém, é questionada na Faria Lima e nos gabinetes de Brasília que citam o envolvimento do Itaú no caso Americanas, considerado a maior fraude corporativa do país como telhado de vidro. O CEO do Itaú é chamado nessas rodas de “santa puta”.
No episódio do Banco Master, as fraudes dilapidaram o Banco de Brasília e há suspeitas de que que prejudicaram fundos de pensão, mas a maioria dos clientes foi protegida pelo FGC. Já no escândalo da Americanas, comparam, credores, fornecedores e acionistas minoritários sofreram perdas bilionárias estimadas em cerca de R$ 20 bilhões.
O Itaú surge na história das Americanas porque participava das operçaões de crédito que embasaram a fraude contábil.
Procurado, o banco Itaú disse que “a tentativa de envolver a instituição (no caso das Americanas) é leviana e criminosa”. Leia mais abaixo.
Ex-executivos da varejista fecharam acordos de delação premiada e afirmaram que executivos do Itaú não apenas tinham conhecimento das manobras contábeis, como também teriam auxiliado na redação de documentos ligados às operações questionadas.
As delações resultaram em um novo inquérito recém aberto que investiga a suposta participação do Itaú e do Santander na fraude das Americanas.
“Caso de vida ou morte”
Em mensagens capturadas pela PF, um executivo das Americanas à época escreveu: “O Itaú acaba de informar que aprovou a redação abaixo. Parabéns a todos os envolvidos.”
Em outra conversa, questiona: “Como estamos com os bancos para retirar das cartas as informações das operações com fornecedores? Caso de vida ou morte para nós.”
Segundo a Polícia Federal, executivos do Banco Itaú foram “convencidos” a omitir operações de “risco sacado” (mecanismo em que fornecedores recebem antecipadamente valores que seriam pagos apenas no futuro). A omissão fez com que as auditorias não enxergassem a fraude contábil.
O Itaú já reconheceu publicamente parte dos fatos, mas afirmou que, até 2017, as cartas enviadas traziam o saldo integral das operações de risco sacado. Segundo o banco, a partir de 2018, “após discussões de mercado”, os documentos passaram a refletir apenas operações contratadas diretamente pela Americanas, excluindo os valores antecipados a fornecedores.
Itaú atua com rigor ético, diz banco
Procurado diretamente pela coluna, o CEO do Itaú pediu que as perguntas fossem encaminhadas para assessoria de imprensa do banco.
A assessoria enviou a seguinte nota sobre o caso Americanas:
“O Itaú Unibanco rechaça veementemente a acusação de participação na fraude das Americanas. Nenhum executivo teve conhecimento, conivência ou participação nas irregularidades praticadas. A tentativa de envolver a instituição é leviana e criminosa, sendo uma distorção grave da realidade, e uma tentativa de afetar sua reputação. O banco é vítima de uma fraude estruturada pela antiga gestão da varejista, que resultou em um prejuízo superior a R$ 3 bilhões. O Itaú reitera, por fim, que sempre atuou com rigor ético e regulatório, baseando-se em balanços auditados que foram deliberadamente adulterados.”
Sobre as críticas aos concorrentes que venderam títulos do Master, o Itaú cometou que Maluhy “já falou sobre esse tema em entrevista, portanto, isso está público”.
