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Apuração pelo Brasil

Alfredo Henrique

Fogo amigo: MPSP cita tiros de armas ausentes na perícia após ação da PM

Peritos acharam 76 estojos da Polícia Militar do Estado de São Paulo na cena; armas atribuídas aos suspeitos só foram examinadas depois

07/10/2026 04:30
Arte/Reprodução/TJSP
Foto de PM fardado, em preto e branco, de braços cruzados e usando boina, em primeiro plano, tendo como fundo projeteis de muniçãos deformados - Metrópoles

Dois revólveres atribuídos aos suspeitos de um roubo em Sorocaba apresentaram resíduos compatíveis com disparos, segundo laudos citados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), em documento protocolado na segunda-feira (05/10). As armas, porém, não foram apresentadas aos peritos que examinaram o local onde o soldado Matheus Almeida Rodrigues foi baleado e morreu, em abril, ocasião em na qual três suspeitos também morreram baleados.

Uma das linhas de investigação refere-se à  suspeita de fogo amigo, mas apesar disso a Promotoria tenta atribuir a responsabilidade da morte do militar ao motoboy Vitor dos Santos Alencar Conceição — único sobrevivente da quadrilha envolvida no assalto a uma farmácia e que não realizou nenhum disparo.

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Somente PMs usaram esse tipo de calibre na ocorrência
Projétil calibre ponto 40 foi retirado de cérebro de PM morto
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Somente PMs usaram esse tipo de calibre na ocorrência
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Projétil calibre ponto 40 foi retirado de cérebro de PM morto
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Projétil calibre ponto 40 foi retirado de cérebro de PM morto

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Arte/Digulgação/PM

O Metrópoles já mostrou que a Polícia Civil apura, inclusive, se Matheus teria sido atingido durante uma suposta tentativa de um PM em colocar uma arma nas mãos de um suspeito morto para simular reação armada.

Armas fora do exame

A ausência das armas durante o exame pericial consta em laudo do Instituto de Criminalística, consultado pela coluna. Quando a equipe chegou ao local dos disparos, os PMs envolvidos já haviam seguido para o plantão policial. O documento registra que “as armas relacionadas não foram apresentadas durante o exame”.

Os dois revólveres calibre .38 foram avaliados posteriormente. Ambos estavam aptos a disparar e tiveram resultado positivo na pesquisa por resíduos de pólvora. Em um dos casos, o exame foi realizado em 13 de abril, dois dias após a ocorrência.

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É esse material que o MPSP usa nas alegações finais para sustentar a existência de confronto. A Promotoria afirma que os revólveres apresentavam vestígios de disparos recentes e considera os resultados compatíveis com uso durante a ocorrência.

Os laudos, porém, não estabelecem sozinhos quando os revólveres foram disparados.

76 estojos da PM

A perícia feita no local encontrou pelo menos 76 estojos de munição, todos com inscrição da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) das quais 66 de pistolas calibre .40, seis de fuzil 5,56 mm e quatro de espingarda calibre 12.

O mesmo exame registrou ainda que nenhuma arma de fogo foi localizada no local ao fim dos trabalhos. A coluna já mostrou também que o carro dos suspeitos apresentava perfurações de fora para dentro, elemento que enfraqueceu a versão inicial de uma troca de tiros, sustentada pelos militares.

Outro laudo revelou que o projétil retirado da cabeça de Matheus era compatível com calibre .40 S&W, o mesmo usado pelas pistolas dos PMs. As armas atribuídas aos suspeitos eram revólveres calibre .38.

A própria Polícia Civil registrou desde o primeiro dia que não era possível determinar se o tiro que matou Matheus havia partido dos suspeitos ou dos próprios policiais.

Latrocínio mesmo sem tiro fatal

Nas alegações finais, o MPSP sustenta que Vitor dos Santos Alencar Conceição pode ser responsabilizado pela morte do soldado Matheus Almeida Rodrigues, mesmo que o disparo fatal não tenha partido dele e nem sequer de outro integrante do grupo.

A Promotoria afirma que, mesmo na hipótese de o tiro ter sido efetuado por um policial militar, ainda seria possível atribuir o resultado morte aos autores do roubo.

Segundo o MPSP, a morte teria ocorrido dentro do risco criado pela própria ação criminosa, marcada, na versão da acusação, pelo uso de armas, fuga e confronto com policiais. Por isso, o órgão pede a condenação de Vitor por latrocínio mesmo sem a necessidade de provar que o disparo que matou Matheus saiu de uma arma dos assaltantes.