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São Paulo

PM morto em Sorocaba: laudo enfraquece versão sobre troca de tiros

Perícia descreveu perfurações de fora para dentro no carro ocupado por suspeitos e não localizou armas de fogo no local da ocorrência

20/06/2026 02:30
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Arte/Digulgação/PM
Arte gráfica com foto de policial militar fardado, em preto e branco, replicado várias vezes - Metrópoles

Um novo laudo da Polícia Científica reforça as dúvidas sobre a versão de troca de tiros na ocorrência em que o soldado Matheus Almeida Rodrigues morreu baleado na cabeça, em Sorocaba, no interior paulista.

A perícia contabilizou ao menos 76 disparos no local, no qual três suspeitos morreram dentro de um Volkswagen Virtus, em 11 de abril, constatando que todas as cápsulas de munição encontradas tinham a inscrição Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP).

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Somente PMs usaram esse tipo de calibre na ocorrência
Projétil calibre ponto 40 foi retirado de cérebro de PM morto
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Somente PMs usaram esse tipo de calibre na ocorrência
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Somente PMs usaram esse tipo de calibre na ocorrência

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Projétil calibre ponto 40 foi retirado de cérebro de PM morto
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Projétil calibre ponto 40 foi retirado de cérebro de PM morto

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O mesmo exame apontou que o carro ocupado pelos suspeitos tinha múltiplas perfurações provocadas por tiros “de fora para dentro”, distribuídas por todo o entorno do veículo. A perícia também registrou que as armas relacionadas ao caso não foram apresentadas durante o exame e que, após buscas no local, não foram localizadas.

Os elementos não permitem afirmar, de forma definitiva, que apenas policiais atiraram. No entanto, colocam sob suspeita a versão de confronto armado apresentada na ocorrência, principalmente porque as armas atribuídas aos suspeitos, segundo já mostrado pelo Metrópoles, eram dois revólveres calibre 38 e um simulacro de pistola.

Já os PMs envolvidos usavam pistolas Glock calibre 40, além de fuzis e espingardas calibre 12.

Veja vídeo da ocorrência 

Disparos com munição da PM

De acordo com o laudo, os peritos encontraram 66 cápsulas deflagradas de pistola calibre 40, seis de fuzil calibre 5,56 mm e quatro de espingarda calibre 12. Todos tinham a inscrição PMESP. O documento afirma que os vestígios permitem considerar que houve “no mínimo” 76 disparos de arma de fogo.

As cápsulas estavam espalhadas ao redor do Virtus, do lado esquerdo, direito, abaixo do veículo, na faixa de rolamento e na calçada. Também foram recolhidos projéteis, mais cápsulas deflagradas e fragmentos de projéteis nas imediações do carro.

A perícia descreveu que o automóvel tinha perfurações de tiros em todo o entorno. Na parte interna, bancos, colunas, painel e portas também foram transfixados por tiros. O laudo concluiu que as marcas eram compatíveis com disparos feitos de fora para dentro.

Armas não estavam no local

Outro ponto sensível do documento é a ausência de armas no momento da perícia. Segundo o laudo, os policiais militares envolvidos já tinham ido ao plantão da Polícia Civil quando os peritos chegaram. Os suspeitos feridos também haviam sido socorridos e as armas relacionadas a eles “não foram apresentadas durante o exame”.

Uma ressalva técnica é que revólveres, diferentemente de pistolas, não espalham automaticamente estojos no chão. Por isso, a ausência de cápsulas 38 no local não basta, isoladamente, para descartar disparos feitos pelos suspeitos. Ainda assim, o conjunto dos laudos reforça a necessidade de reconstrução detalhada da dinâmica.

Na conclusão, a perícia registrou que foram feitas buscas, mas não foram encontradas armas de fogo no local. Essa informação aumenta a pressão sobre a investigação para esclarecer onde estavam os revólveres atribuídos aos suspeitos e em que momento eles foram apreendidos e vinculados ao caso.

PM morto por calibre da corporação

O caso já era investigado como possível “fogo amigo”. Como revelou o Metrópoles, o projétil retirado da cabeça do soldado Matheus Almeida Rodrigues tinha características compatíveis com munição calibre 40 S&W, o mesmo das pistolas usadas pelos PMs na ocorrência. A perícia, porém, não individualizou qual arma disparou o tiro fatal.

Matheus foi atingido na cabeça durante a abordagem ao carro usado pelos suspeitos. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

A suspeita analisada por investigadores é a de que o disparo que matou o soldado possa ter ocorrido após o fim do confronto ou durante uma tentativa de simular reação armada de um dos suspeitos mortos. Essa hipótese ainda depende de confirmação pericial e da análise das demais provas do inquérito.

Três suspeitos mortos

O laudo necroscópico dos três suspeitos mortos aponta que todos morreram por hemorragia interna traumática decorrente de ferimentos provocados por arma de fogo. As vítimas foram identificadas como Kevin Aparecido Nascimento Almeida, Marcelo Leite Batista e Vagner da Silva Barbosa.

A ocorrência começou após a suspeita de roubo a uma farmácia na região do Campolim. Segundo a investigação, quatro homens fugiram em um Virtus, que depois foi interceptado por equipes da PM. Três morreram no local e um quarto suspeito foi preso.

Investigação segue

Os novos laudos não encerram a apuração, mas tornam a versão de troca de tiros mais frágil. A cena periciada mostra uma grande quantidade de disparos ligados à PM, marcas de tiros entrando no veículo e ausência de armas no local quando os peritos chegaram.

Agora, a investigação precisa responder se houve reação armada dos suspeitos, quem disparou contra o soldado Matheus e por que as armas atribuídas aos ocupantes do carro não estavam no local no momento da perícia.

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