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Apuração pelo Brasil

Alfredo Henrique

MPSP mantém acusação contra motoboy mesmo na hipótese de PM matar soldado

Promotoria diz que único suspeito que sobreviveu a tiroteio pode responder pela morte mesmo se tiro fatal tiver partido de outro policial

06/10/2026 04:30
Arte/Alfredo Henrique/Metrópoles
Arte gráfica de PM translucido, com boina, sobre fundo de rua tomada por viaturas - Metrópoles

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) defende que Vitor dos Santos Alencar Conceição seja condenado por latrocínio, pela morte do soldado Matheus Almeida Rodrigues, mesmo na hipótese de o tiro fatal ter sido disparado por outro policial militar.

A tese consta nas alegações finais apresentadas pela Promotoria à Justiça de Sorocaba. No documento, obtido pela coluna, o MPSP sustenta que, mesmo se o projétil responsável pela morte tiver partido de “integrante da própria corporação”, ainda seria possível atribuir o resultado fatal aos autores do roubo.

Matheus morreu após ser baleado na cabeça durante uma ação da PM contra quatro suspeitos de roubar uma farmácia, em 11 de abril no interior paulista. Três deles morreram e Vitor foi o único sobrevivente (assista abaixo).

Tiro de PM

O Metrópoles revelou que o projétil retirado da cabeça de Matheus tinha características compatíveis com munição calibre .40 S&W, usada pelas pistolas dos PMs. As armas atribuídas aos suspeitos eram dois revólveres calibre .38 e uma arma de brinquedo. A perícia não conseguiu individualizar de qual arma da PM saiu o tiro fatal.

Outro laudo mostrou que peritos recolheram 76 estojos de munição na cena — todos com inscrição da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP) — e encontraram no carro perfurações de fora para dentro. As armas atribuídas aos suspeitos não estavam no local quando a perícia foi realizada. Esses elementos enfraqueceram a versão de uma troca de tiros, sem, contudo, descartá-la definitivamente.

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Em setembro, como revelou a coluna, Vitor afirmou à Justiça que Marcelo Leite Batista chegou a levantar as mãos antes dos primeiros disparos e que os comparsas já estavam baleados quando ele fugiu. Também negou que o grupo estivesse com armas verdadeiras (assista abaixo).

Latrocínio

Nas alegações finais, o MPSP afirma que Vitor ainda pode ser responsabilizado pela morte do PM, mesmo que o tiro fatal tenha partido da arma de um colega de farda da vítima.

Segundo a Promotoria, isso não afastaria a responsabilidade porque a morte teria ocorrido dentro do risco criado pelos autores do roubo, que, de acordo com a acusação, estavam armados, resistiram à abordagem e provocaram o confronto.

O MPSP afirma ainda que os revólveres atribuídos ao grupo estavam aptos a disparar, tinham cartuchos deflagrados e resíduos de disparos anteriores. Para a Promotoria, esses elementos são compatíveis com o uso das armas durante a ocorrência.

Assim, mesmo se nenhum dos suspeitos tiver efetuado o tiro que matou Matheus, o MPSP considera possível atribuir juridicamente a morte aos integrantes do grupo e pede a condenação de Vitor por latrocínio.