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Alfredo Henrique

Crime monopoliza internet e até pão em favelas, diz secretário do RJ

Segundo Victor dos Santos, facções substituíram o tráfico como única fonte de renda por monopólios de serviços dentro dos territórios

12/08/2026 17:00
Alfredo Henrique/Metrópoles
Homem e terno, em pé, fala ao microfone - Metrópoles

O tráfico de drogas deixou de ser o único e, em determinadas áreas, até o principal negócio de organizações criminosas que dominam comunidades do Rio de Janeiro. Segundo o secretário de Segurança Pública do estado, Victor Cesar, facções passaram a explorar de internet, gás, construção civil, transporte e até a venda de pão.

Durante o COP Internacional 2026, nessa terça-feira (11/8) em São Paulo, Victor usou a Rocinha para dimensionar esse mercado. Segundo ele, embora o Censo de 2022 tenha indicado cerca de 80 mil moradores, a população real da comunidade seria estimada em 120 mil pessoas.

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Artesão faz trabalhos usando cápsulas de munição, vendidas durante a COP Internacional
Forças policiais também participam do evento expondo equipamentos e uniformes
Victor Cesar durante palestra
Expositores na COP Internacional 2026
Secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Victor Cesar
Veículos e armas ocupam espaço de eventos
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Veículos e armas ocupam espaço de eventos

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Artesão faz trabalhos usando cápsulas de munição, vendidas durante a COP Internacional
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Artesão faz trabalhos usando cápsulas de munição, vendidas durante a COP Internacional

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Forças policiais também participam do evento expondo equipamentos e uniformes
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Forças policiais também participam do evento expondo equipamentos e uniformes

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Victor Cesar durante palestra
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Victor Cesar durante palestra

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Secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Victor Cesar
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Secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Victor Cesar

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“Se a gente fizer uma conta muito básica, 120 mil pessoas, dividir pela metade, 60 mil pessoas pagando um plano de internet de R$ 100, a gente tem R$ 6 milhões de faturamento só com internet”, afirmou. “O crime organizado já entendeu como é que funciona o negócio.”

A lógica, segundo o secretário, é substituir a concorrência pelo monopólio. “Olha aqui que sonho de todo empreendedor: ele tem um monopólio. Só eu vou explorar aquele serviço. E alguém imagina taxa de inadimplência do crime organizado? Você acha que alguém fica devendo?”

Domínio territorial

Antes, conforme exposto pelo secretário ao público, as organizações criminosas se concentravam em pontos de venda de drogas. Já atualmente, explorariam “áreas inteiras” e controlariam atividades econômicas e sociais. O domínio territorial afeta economia, mobilidade, serviços, turismo e até a política, acrescentou.

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Victor citou ainda Rio das Pedras, favela localizada na zona oeste do Rio. Segundo levantamento apresentado por ele, somente a venda de gás movimentaria R$ 4 milhões mensais na comunidade e internet outros R$ 3 milhões.

O secretário deu outro exemplo, mostrando como as organizações criminosas seriam capazes de produzir pão em larga escala e obrigar padarias instaladas no território a comprar exclusivamente daquele fornecedor. Dessa forma, eliminam concorrentes e transformam serviços cotidianos em receita recorrente.

Reocupar e permanecer

“Hoje não adianta [apenas] ocupar porque essa receita continua. O dinheiro continua”, afirmou. Para Victor Cesar, operações policiais permanecem necessárias, mas são insuficientes sem a ocupação permanente do território por serviços públicos e atividades econômicas legais.

“Reocupar é mais do que entrar. É permanecer”, resume a estratégia que deu nome à apresentação do governo fluminense ao público em São Paulo.