Crime monopoliza internet e até pão em favelas, diz secretário do RJ
Segundo Victor dos Santos, facções substituíram o tráfico como única fonte de renda por monopólios de serviços dentro dos territórios

O tráfico de drogas deixou de ser o único e, em determinadas áreas, até o principal negócio de organizações criminosas que dominam comunidades do Rio de Janeiro. Segundo o secretário de Segurança Pública do estado, Victor Cesar, facções passaram a explorar de internet, gás, construção civil, transporte e até a venda de pão.
Durante o COP Internacional 2026, nessa terça-feira (11/8) em São Paulo, Victor usou a Rocinha para dimensionar esse mercado. Segundo ele, embora o Censo de 2022 tenha indicado cerca de 80 mil moradores, a população real da comunidade seria estimada em 120 mil pessoas.
“Se a gente fizer uma conta muito básica, 120 mil pessoas, dividir pela metade, 60 mil pessoas pagando um plano de internet de R$ 100, a gente tem R$ 6 milhões de faturamento só com internet”, afirmou. “O crime organizado já entendeu como é que funciona o negócio.”
A lógica, segundo o secretário, é substituir a concorrência pelo monopólio. “Olha aqui que sonho de todo empreendedor: ele tem um monopólio. Só eu vou explorar aquele serviço. E alguém imagina taxa de inadimplência do crime organizado? Você acha que alguém fica devendo?”
Domínio territorial
Antes, conforme exposto pelo secretário ao público, as organizações criminosas se concentravam em pontos de venda de drogas. Já atualmente, explorariam “áreas inteiras” e controlariam atividades econômicas e sociais. O domínio territorial afeta economia, mobilidade, serviços, turismo e até a política, acrescentou.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesVictor citou ainda Rio das Pedras, favela localizada na zona oeste do Rio. Segundo levantamento apresentado por ele, somente a venda de gás movimentaria R$ 4 milhões mensais na comunidade e internet outros R$ 3 milhões.
O secretário deu outro exemplo, mostrando como as organizações criminosas seriam capazes de produzir pão em larga escala e obrigar padarias instaladas no território a comprar exclusivamente daquele fornecedor. Dessa forma, eliminam concorrentes e transformam serviços cotidianos em receita recorrente.
Reocupar e permanecer
“Hoje não adianta [apenas] ocupar porque essa receita continua. O dinheiro continua”, afirmou. Para Victor Cesar, operações policiais permanecem necessárias, mas são insuficientes sem a ocupação permanente do território por serviços públicos e atividades econômicas legais.
“Reocupar é mais do que entrar. É permanecer”, resume a estratégia que deu nome à apresentação do governo fluminense ao público em São Paulo.
















