Morto pela PM em ação contra o CV em Rio Claro era fiscal municipal

Márcio José Gomes foi morto em uma suposta troca de tiros com policiais do 10º Baep da região de Rio Claro, no interior paulista

atualizado

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1 de 1 Homem branco de barba - Metrópoles - Foto: Arte sobre Arquivo Pessoal

Márcio José Gomes, de 46 anos (imagem em destaque), morto a tiros por policiais militares, na manhã de quinta-feira (11/12), era agente de fiscalização da Prefeitura de Rio Claro.

Foi na casa dele, na cidade do interior paulista, que policiais do Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) supostamente trocaram tiros com o fiscal, durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão, expedido pela Justiça, no âmbito de uma operação do Grupo de Investiga o Crime Organizado (Gaeco) para enfraquecer o crime organizado.

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Reprodução/Polícia Civil

O Metrópoles apurou que Márcio ingressou no funcionalismo público em 22 de abril de 2008, após passar em um concurso para agente de fiscalização.

O trabalho dele — como consta em uma perícia, anexada em um processo movido pelo fiscal para conseguir um adicional por insalubridade — se resumia a deslocamentos, feitos com uma moto, em departamentos indicados pela chefia.

A Prefeitura de Rio Claro foi questionada sobre a atual situação trabalhista do funcionário — que é apontado como parceiro do Comando Vermelho — mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.

“Manuseio de armamento”

Em relatório, obtido pela reportagem, o batalhão diz que, no momento em que tentavam anunciar sua chegada em uma casa, no bairro de Santana, policiais teriam ouvido “barulho de manuseio de armamento”.

Assim que abriram o portão e começaram a entrar no imóvel, os PMs afirmam terem sido recepcionados por ao menos dois tiros, supostamente dados por Márcio.

Os PMs ingressaram na casa e revidaram, ferindo mortalmente o suspeito, que, de acordo com a investigação, é membro do CV, facção fluminense com forte atuação em Rio Claro e região, como já revelado pelo Metrópoles.

Fiscal era também CAC

Márcio também, de acordo com o comando da PM da região, seria um Colecionar Atirador Esportivo e Caçador (CAC), condição que, segundo a PM, usada para supostamente beneficiar criminosos.

Ele teria, conforme as investigações — que seguem em sigilo de Justiça — forjado um furto de seu arsenal, para fornecer armamento à célula do CV na região.

Na casa onde Márcio foram apreendidas armas, munições, dois celulares e R$ 837.

Ação simultânea

Enquanto os policiais do Baep supostamente trocaram tiros com Lemão, outra equipe estava no Jardim Cherveson, também cumprindo um mandado de busca na casa de um homem de 51 anos.

Com a ajuda do cão farejador Yran foram encontrados 12 tabletes de maconha, 400 gramas de pasta base de cocaína, além de R$ 5 mil.

O homem teria admitido a posse da maconha, mas negou que a cocaína fosse sua, alegando que a droga pertenceria ao irmão, cuja identidade não consta nos documentos policiais . Ele seria o alvo principal do mandado de busca.

Arma e munições

No bairro Park Palmeira foi cumprido o terceiro mandado de busca, na residência de um suspeito de 33 anos, apontado como membro do CV.

Foi apreendida uma pistola, quatro carregadores, 66 munições, um celular, documentos da arma e um sistema de monitoramento com câmeras.

Os itens serão anexados às provas que compõe a investigação do Gaeco.

A defesa dos suspeitos não foi localizada e o espaço segue aberto para manifestações.

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