Estudos sugerem que dormir em camas separadas apimenta a relação

A prática, de acordo com as pesquisas, promove um novo nível de intimidade, que estimularia o desejo sexual

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atualizado 06/11/2019 19:51

Para muitos casais, terminar o dia na cama colado ao corpo do parceiro, de preferência em posição de conchinha, é uma das expressões de intimidade mais importantes do relacionamento. Mas, apesar de romântico, o hábito de dividir todas as noites sob os mesmos lençóis pode ser nocivo para a relação.

Segundo pesquisas de diferentes nacionalidades, casais que dormem no mesmo quarto têm maior probabilidade de experimentar distúrbios noturnos do outro — como ronco, falta de higiene, inquietude e diferença de horários –, o que pode causar problemas de saúde, discussões conjugais, disfunção sexual e perda de interesse pelo parceiro.

Uma dessas pesquisas, produzida pela Universidade de Medicina Paracelsus, na Alemanha, mostrou que problemas de sono geralmente culminam em conflitos afetivos. Outra, realizada na Universidade da Califórnia (EUA), publicada em 2013, descobriu que uma noite de insônia de um parceiro causada por distúrbios do outro aumenta consideravelmente as chances de o casal brigar no dia seguinte.

Já estudos realizados pela empresa de colchões Silentnight e pela Universidade do Leeds, no Reino Unido, concluiu: 38% dos casais britânicos que decidiram dormir em camas separadas depois de ter compartilhado o mesmo colchão relataram melhora nas relações sexuais. Em contrapartida, 24% viram o número de transas diminuir.

Nessa direção convergem as teorias da psicoterapeuta belga e autora do livro Sexo no Cativeiro: Como Manter a Paixão nos Relacionamentos, Esther Perel. Ela propõe que os casais preservem um grau de intimidade capaz de atiçar a paixão.

“A proximidade excessiva em um relacionamento não permite gerar um espaço erótico, essencial no incentivo do desejo. Quando as pessoas se fundem, quando dois viram um, não há com quem estabelecer uma ligação. Assim, o distanciamento é uma precondição da ligação: esse é o paradoxo essencial da intimidade e do sexo”, escreveu Esther.

Será mesmo?

Apesar de a ciência ter identificado casos bem-sucedidos de casais que mudaram de cama ou quarto, especialistas também alertam sobre a importância de dialogar. “É preciso desconstruir essa ideia de que cama é único espaço do sexo”, aconselha o sexólogo brasiliense André Siqueira.

Para o profissional, quando dormir junto incomoda, o primeiro passo é descobrir o porquê. “É importante saber se o problema está na pessoa, no comportamento dela enquanto descansa ou se está relacionado ao nosso bem-estar individual”, pontua.

Depois, é preciso entender se o hábito é dispensável para o outro e negociar. “Embora muitos casais passem a vida dormindo juntos para atender uma convenção social, outros consideram esse momento de fato importante para a manutenção da intimidade e até mesmo da libido.”

E aí? Vai tentar?

SOBRE O AUTOR
Ranyelle Andrade

Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá de Brasília. Antes do Metrópoles, trabalhou na redação do Clica Brasília. Foi assessora de imprensa do Iguatemi Brasília e do Restaurante Gero, do Grupo Fasano, além de ter integrado a equipe de jornalismo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e coordenado a comunicação da Federação Nacional dos Policiais Federais.

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