Tem algo no mundo mais chato que o Mercosul? Haja perda de tempo

Se o Mercosul estivesse tão bichado como sempre foi, tudo seria mais um grande esforço para perder tempo

Alan Santos/PRAlan Santos/PR

atualizado 09/12/2019 9:41

É possível que não exista no Brasil, e talvez em nenhum outro lugar da Terra, um assunto mais chato que o Mercosul.

Naturalmente, fiel à bússola pela qual se orienta há anos, a mídia soca em cima do público tudo o que pode dizer sobre o tema – quanto menos interesse alguma coisa tiver para as pessoas normais, reza a grande regra da comunicação moderna, mais a gente vai falar delas.

Que coisas são essas? Tudo o que os comunicadores consideram “sério”. Mercosul, por exemplo, tem há décadas carteirinha de “coisa séria”. Pois então: vamos tascar Mercosul em cima da galera.

Está acontecendo de novo, com a reunião da cúpula da organização em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, com a presença do presidente Bolsonaro. Se o Mercosul estivesse tão bichado como sempre foi, tudo seria mais um grande esforço para perder tempo.

Mas falar de Mercosul, hoje, começa a chegar perto do incompreensível. O novo presidente da Argentina acha que tudo o que o Brasil está fazendo em sua economia é 1.000% errado. O Brasil acha a mesma coisa da Argentina. Nenhum dos dois vai mudar. E o público em geral? Vai ser informado, solenemente, que não está acontecendo nada – mas que é tudo muito importante.

SOBRE O AUTOR
J.R Guzzo

É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

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