Renan Calheiros, que juntou o centrão com a esquerda, virou réu

Nem com a ajuda de Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski o investigado conseguiu se livrar. Logo dirá: até tu, segunda turma?

Michael Melo/Metrópoles

atualizado 04/12/2019 14:52

O senador Renan Calheiros, como se sabe pela importância que a mídia lhe dá o tempo todo, é um dos homens mais importantes da República para a construção da prodigiosa obra de “engenharia política” que vai salvar o Brasil de todos os seus problemas, de hoje, amanhã e sempre – o “arco de alianças não-polarizadas de centro esquerda”.

É o que asseguram os maiores colossos da nossa classe intelectual-civilizada-liberal-etc. – segundo os quais estaremos todos com a vida ganha se as pessoas realmente responsáveis deste país conseguirem juntar numa mesma salada o PSDB, o centrão, Lula e o apresentador de televisão Luciano Huck. Não só eles, na verdade; eles e quem mais mostrar uma certidão negativa da Polícia Nacional do Bem, atestando um “nada consta” em matéria de “direitismo”.

O problema é que Renan continua sendo Renan, como centenas de outros, nesse bonde, continuam sendo o que são. No seu caso, isso significa nove inquéritos criminais junto ao Supremo – algo que seria de importância zero, para os “engenheiros políticos” da Grande Aliança Moderada, se não fosse o inconveniente de que uma denúncia de corrupção contra ele, finalmente, foi aceita.

Pior: a denúncia foi aceita, por 3 a 2, na tenebrosa “Segunda Turma” do STF, por onde nem Átila, o “Flagelo de Deus”, ou Judas Iscariotes, ou outras figuras dessa mesma galera, teriam a menor preocupação em passar. Até tu, “Segunda Turma”? Pois é: nem nisso um investigado por ladroagem de primeira classe pode confiar hoje em dia no Brasil.

O fato é que Renan, o elo perdido na evolução que junta Lula e o “centro democrático”, não conseguiu escapar de uma turma onde despacham Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. É dose.

* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.

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