Surge a bancada “pró-desgraça”: contra esgoto e água encanada

Os “manifestantes” e a oposição do consórcio PT-PSol-etc., são, sim, contra a melhora do saneamento básico

Kacio Pacheco/Arte/MetrópolesKacio Pacheco/Arte/Metrópoles

atualizado 08/12/2019 10:26

Eis aqui um teste muito simples para você descobrir mais um inimigo do Brasil. Não requer prática nem habilidade, e pode ser feito no recesso do seu lar, bastando para tal a mera leitura de umas poucas linhas de texto acessível a todos pela internet – mais exatamente, estas aqui mesmo, no portal Metrópoles.

É possível, claro, que o leitor não esteja interessado, a essa altura da vida, em aumentar ainda mais a sua lista de gente cuja atividade principal é combater tudo o que possa ser bom para o país, e apoiar tudo o que é comprovadamente ruim (a lista já dá para encher, inteirinho, um daqueles velhos anuários de telefone).

Nesse caso, talvez seja melhor ler alguma outra coisa. Mas para quem tem um pouquinho de paciência (a leitura deste artigo não lhe tomará mais que cinco minutos), talvez valha a pena identificar um tipo até agora não muito conhecido de militante do “pró-desgraça”: o sujeito que é contra a água encanada e a rede de esgotos. É isso mesmo que você acaba de ler: contra.

O teste consiste em responder à seguinte pergunta: se está em votação na Câmara dos Deputados um projeto de iniciativa do governo, com o apoio da maioria dos parlamentares e de muita gente boa, para melhorar o saneamento básico no Brasil, e um grupo tenta invadir o plenário para impedir a sua aprovação, quem é o inimigo do país e de sua população – os que são a favor do projeto ou os “resistentes” do sindicalismo de esquerda que são contra?

Parece uma coisa demente, e é. Vale a pena, portanto, repetir, para ninguém achar que existe algum erro cognitivo por aqui. Os “manifestantes” e a oposição do consórcio PTPSol-etc. são, sim, contra a melhora do saneamento básico, num país onde 50% da população, mais ou menos uns 110 milhões de seres humanos, não são servidos por redes de esgotos. Outros 30%, talvez, não tenham água tratada para beber.

Coisinha simples, não é? Para que brigar por uma mixaria dessas? Não seria melhor, para evitar a “polarização” política que está “ameaçando cada vez mais a democracia no Brasil”, ceder um pouco à esquerda, com seus Lulas, satélites e ladrões amigos, e deixar que eles levem essa?

Pois é assim que estamos no Brasil do pró-desgraça, onde existem indivíduos que são contrários ao saneamento básico por interesses ideológicos – e assim mesmo continuam a ser levados a sério pelos “engenheiros” políticos que andam atrás da miragem de um “centro” equilibrado, afastado dos extremos e outros disparates. “Interesses ideológicos”? Como assim? Isso mesmo: o projeto em apreciação abre o setor do saneamento, hoje um dos cancros mais malignos do “Estado” brasileiro, à iniciativa privada, num nível e em condições mais avançadas, racionais e progressistas do que jamais foi feito até agora.

Na mão do poder público deu nisso que se sabe: 110 milhões de pessoas, todas pobres, nenhuma rica, não têm um metro sequer de esgoto. Com a abertura efetiva do setor para as empresas privadas, toda a população terá acesso ao saneamento máximo num prazo muito curto. Mas não: se for assim, os sindicatos deixarão de mandar no pedaço e encher de empregos a companheirada. Partem, então, para a posição de sempre: nós não fazemos e não deixamos que ninguém faça.

Para completar: quem são os grandes aliados da esquerda nessa treva? As piores gangues políticas que infestam o Congresso – esse “centrão” que virou tão precioso para a elite pensante, intelectual, “civilizada”, etc. que anda por aí enchendo espaço na mídia. Eles também não querem a privatização a sério dos serviços de água e esgoto: será o fim do seu reinado sobre as empresas estatais de saneamento que controlam o setor, suas verbas e seus empregos para familiares, amigos e clientes. Fim do teste.

SOBRE O AUTOR
J.R Guzzo

É jornalista e colunista do Metrópoles. Na década de 1960, foi subsecretário da edição paulista do jornal Última Hora. Entrou na Editora Abril em 1968 e dirigiu o mais importante título do grupo, a Veja, entre os anos 1976 e 1991, tendo ainda atuado no Conselho Editorial da Abril. Escreveu uma coluna na revista até 2019.

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