Estado é o maior responsável pela concentração de renda no Brasil
Se trabalhadores dão expediente no aparelho estatal, são tratados de uma forma. Se estão fora, de outra. Adivinhe quem é tratado melhor?
atualizado
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Onde achar os melhores exemplos de concentração de renda no Brasil? Não perca seu tempo; olhe sempre para a máquina pública. Nunca tem erro. Quem deveria ser o campeão da concentração – ou mesmo o seu único causador? A iniciativa privada capitalista, não é?
Mas isso aqui é o Brasil, e no Brasil ninguém concentra tanta renda quanto o Estado. Há 1.001 razões diferentes para isso. Uma das mais eficazes é o tratamento diferente que esse Estado, sempre louvado como o instrumento por excelência da equalização de tudo, dá aos brasileiros.
Se trabalham (ou têm um emprego) no funcionalismo público são tratados de uma maneira. Se trabalham fora do aparelho estatal são tratados de outra. Adivinhe quem é tratado melhor? Acertou.
Essa diferença flagrante aparece em tudo – a começar pelos salários. Segundo um levantamento que acaba de ser publicado pelas jornalistas Adriana Fernandes e Idiana Tomazelli, do jornal O Estado de S.Paulo, o governo gastou com os aumentos dos seus funcionários, nos últimos seis anos, R$ 32 bilhões a mais do que teria gasto se tivesse aplicado os mesmos critérios que as empresas privadas utilizaram para reajustar as suas folhas de pessoal.
As empresas não aumentaram menos porque violaram a lei, obviamente. Foi o Estado que aumentou mais do que deveria.
O mais bonito é que o dinheiro para pagar esses R$ 32 bi, é claro, saiu diretamente do bolso dos brasileiros que tiveram aumentos salariais menores. Se isso não é concentração de renda direto na veia, o que seria?
* Este texto representa as opiniões e ideias do autor.
