Iphan apura caso de assédio sexual de servidor contra estagiária

Universitária afirma que sofreu investidas do então supervisor enquanto foi aprendiz no órgão. Outras mulheres também teriam relatado abusos

Rafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 12/12/2019 10:52

Uma ex-estagiária do edifício sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) acusa um servidor do órgão federal de assédio sexual durante o período em que ela foi aprendiz no local. O caso foi denunciado internamente. A instituição afirmou que apura o caso e decidirá, em até 30 dias, se abrirá ou não processo administrativo contra o funcionário de carreira.

A reportagem decidiu preservar os nomes dos envolvidos até que a sindicância seja finalizada. De acordo com a universitária, de 30 anos, o caso ocorreu entre os anos de 2015 e 2017, quando ela foi selecionada para prestar serviços no local.

“A princípio, ele começou fazendo elogios. Dizia que gostava da forma como eu me vestia e que eu era bonita. Depois, foi passando a ser mais intenso”, relatou a jovem ao Metrópoles. “Ele iniciou passando a mão no meu corpo, me elogiava cada vez mais e comecei a me envolver”, continuou.

Após as inúmeras investidas, segundo a mulher, ela cedeu às cantadas e passou a manter um caso extraconjugal com o chefe direto. “Eu tinha um relacionamento e ele também, mas passamos a nos relacionar dentro do ambiente de trabalho. Tudo começou a acontecer nas dependências do prédio, inclusive com penetrações. Ele me trancava no Copedoc [setor de pesquisa do órgão], onde a gente realizava os atos sexuais”, disse.

A jovem disse, ainda, que com o passar do tempo o sexo passou a ser violento, deixando, inclusive, marcas no corpo dela. “Às vezes, tinha medo de que percebessem.”

Com o fim do contrato, a estudante lembra que foi levada novamente ao setor para uma espécie de “despedida”. “No meu último dia, ele me convenceu a voltar ao arquivo e até levou uma terceirizada para nos filmar”, contou, constrangida.

Polícia

A denúncia foi registrada neste ano na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), mas a universitária solicitou a retirada da queixa, segundo ela, a pedido do ex-supervisor.

“Ele me procurou quando soube e insistiu que eu tirasse. Falou que tinha filho e que poderia dar muito problema para ele, então concordei. Mas não posso aceitar calada, ainda mais depois que eu soube que isso não acontecia apenas comigo. Outras estagiárias também passaram por isso”, frisou.

Esse é o motivo que, segundo ela, decidiu manter a denúncia interna no órgão. “Desde que saí de lá, passei a ter crises de ansiedade e depressão. Chegou ao ponto do meu desempenho cair muito na universidade e por esse motivo decidi trancar o meu curso. Me sinto violada e tenho o objetivo de preservar outras mulheres.”

A coluna procurou o Iphan para comentar o episódio e, por meio da assessoria de imprensa, informou que “a denúncia foi formalizada na área que trata da matéria no órgão no dia 4 de dezembro. Um processo já foi aberto e tramita em sigilo. O Iphan tem até 30 dias, a partir desta data, para instaurar um processo administrativo interno”.

Troca de comando

A denúncia de assédio vem à tona no dia em que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu trocar o comando do Iphan. O ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, assinou portaria para exonerar a então presidente do órgão, Katia Santos Bogea. No lugar dela, assumiu Luciana Rocha Feres. Ela é arquiteta e urbanista, professora e consultora na área de patrimônio cultural.

Katia foi flagrada pelo Metrópoles usando o veículo oficial para atividades particulares.

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