Vanguard: “casa submarina” permitirá estudos contínuos no fundo do mar
Habitat subaquático Vanguard ajudará preservar melhor as amostras obtidas no fundo oceânico, sem danificá-las ao trazê-las a superfície

Imagine passar um tempo morando a 17 metros de profundidade abaixo da superfície do mar? É exatamente essa experiência que quatro mergulhadores terão nos próximos meses, prazo estimado para Vanguard, um habitat subaquático, começar a funcionar. O projeto é da empresa internacional de engenharia oceânica DEEP e visa tornar os estudos no fundo do mar mais precisos e contínuos.
A “casa submarina” e a tecnologia dela que possibilitará a acomodação dos passageiros foram apresentadas ao público em 2025. Em breve, as atividades no local serão iniciadas. O Vanguard foi instalado em uma plataforma fixa na Flórida, nos Estados Unidos, e pode abrigar até quatro tripulantes por vez.
Segundo a diretora de pesquisa científica do DEEP, Dawn Kernagis, realizar estudos dentro do mar ajudará a preservar melhor as amostras, que podem ser danificadas ao serem trazidas à superfície.
“Quando uma amostra é trazida à superfície, ela se descomprime. Então, qualquer que seja a assinatura molecular, qualquer que seja a assinatura celular [que você esteja analisando na amostra], está relacionada a esse processo de descompressão. Portanto, você não está realmente vendo como era essa amostra em profundidade”, explica Dawn em entrevista ao portal Science Alert.
Como funcionará a “casa submarina” Vanguard
Para evitar problemas ligados à pressão do fundo do mar, o Vanguard constantemente fará medições das condições subaquáticas, mesmo sem os tripulantes presentes. Agindo como um sistema de pressurização equilibrada, o habitat subaquático será capaz de controlar a pressão interna do ambiente de acordo com a profundidade.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO local contará com equipamentos especiais para possibilitar que os mergulhos sejam mais duradouros do que os 60 minutos dos tradicionais. Assim que voltarem das investigações, os tripulantes e o habitat serão comprimidos a uma pressão controlada semelhante às condições externas.

Com a embarcação fechada, o ar e os mergulhadores passarão por uma descompressão gradual, a fim de evitar que o nitrogênio presente no organismo devido aos períodos grandes sob influência da pressão das grandes profundidades não se dissolva no sangue e cause alguma intercorrência.
Depois de passar a noite descomprimindo, a casa volta a ser recomprimida a uma pressão ligeiramente maior que os níveis externos. Para sair ou voltar da embarcação, os mergulhadores deverão usar uma abertura na parte inferior do habitat chamada “piscina lunar”. Através de uma boia na superfície, os membros terão contato com uma base em terra durante toda a estadia, além de energia, água potável e sistema para recolher esgoto e águas residuais.
Caso tudo saia dentro do esperado, os planos da DEEP são lançar a Sentine até 2027, uma outra linha de habitats modulares e submarinos de habitação humana, mas que visa permitir a estadia no fundo do mar por mais que a Vanguard.
Além de possibilitar estudos mais aprofundados no fundo oceânico, ambas “casas submarinas” possibilitarão dar mais detalhes de como o organismo humano reage em ambientes extremos, como em grandes profundidades.



