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Cientistas descobrem tomate que “evoluiu ao contrário” no Equador

Além de ser um exemplo de como a evolução da espécie acontece, pesquisa sobre tomate abre novas possibilidades para engenharia genética

atualizado

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Adél Békefi / Getty Images
tomates verdes ainda na planta - Metrópoles.
1 de 1 tomates verdes ainda na planta - Metrópoles. - Foto: Adél Békefi / Getty Images

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside, nos Estados Unidos, descobriram um caso inusitado de “evolução reversa” nos tomates silvestres que crescem nas Ilhas Galápagos, no Equador.

Em um estudo publicado em 18 de junho na revista científica Nature Communications, a equipe observou cerca de 56 amostras do fruto e mostrou que as plantas estão readquirindo características químicas consideradas ancestrais, que foram perdidas ao longo da evolução da espécie.

Os cientistas identificaram que, em ambientes mais inabitáveis das ilhas ocidentais do arquipélago, os tomates passaram a produzir alcaloides (compostos químicos tóxicos e amargos) semelhantes aos que eram comuns em ancestrais distantes da família das solanáceas, à qual pertencem tomates, batatas e berinjelas.

A descoberta foi feita a partir da análise química de amostras coletadas em diferentes partes do arquipélago. Nas ilhas mais antigas e estáveis, localizadas no leste, os tomates mantêm compostos típicos das variedades cultivadas hoje em dia.

Já nas ilhas ocidentais, mais jovens e de ambiente hostil, a equipe encontrou tomates que sintetizam moléculas mais antigas e amargas, muito parecidas com as presentes em espécies primitivas da família. Segundo os pesquisadores, essa reversão evolutiva pode ter ocorrido como uma adaptação ao ambiente rochoso e com pouco solo, onde os tomates precisam se proteger melhor contra predadores e condições extremas.

Fotografia de tomates verdes ainda no caule - Metrópoles
Segundo os pesquisadores, este tomate é um dos exemplos mais claros de que em ambientes específicos, organismos podem readquirir características que haviam sido descartadas há milhões de anos

Os cientistas também demonstraram que a mudança bioquímica foi causada por alterações mínimas no código genético da planta. Apenas quatro aminoácidos diferentes em uma enzima foram suficientes para modificar o caminho metabólico que produz os alcaloides, levando à fabricação das substâncias ancestrais.

A hipótese foi confirmada em laboratório: ao inserir a versão ancestral da enzima em plantas de tabaco, os cientistas conseguiram fazer com que elas produzissem os compostos primitivos, comprovando a reversão.

Este é um dos exemplos mais claros de que, diante de pressões ambientais específicas, organismos podem adquirir características que foram descartadas pela seleção natural há milhões de anos. O estudo dos tomates das Galápagos sugere que a evolução não segue uma linha reta e definitiva, mas pode retroceder quando há vantagem adaptativa.

“Não é algo que normalmente esperamos. Mas, aqui está acontecendo em tempo real, em uma ilha vulcânica”, explica Adam Jozwiak, bioquímico molecular e principal autor do estudo, em comunicado.

Os pesquisadores acreditam que a descoberta pode ter implicações importantes para outras áreas do conhecimento. Entender como pequenas mudanças em proteínas podem alterar rotas metabólicas inteiras pode ajudar no desenvolvimento de plantas mais resistentes a pragas, na criação de medicamentos a partir de compostos naturais e até na produção de alimentos com características específicas.

O caso dos tomates de Galápagos mostra como a natureza pode ser flexível e criativa em sua busca por soluções evolutivas. Em ambientes desafiadores, os organismos nem sempre criam algo novo: às vezes, a estratégia mais eficaz é recuperar habilidades do passado que estavam adormecidas no DNA.

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