Estudo revela quando surgiu a maior falha no escudo magnético da Terra
Apesar de a Terra ter um escudo magnético para se proteger da radiação do espaço, uma região entre a América do Sul e a África tem uma falha
atualizado
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Para se proteger da radiação solar vinda do espaço, o campo magnético do nosso planeta tem uma espécie de “escudo”. O problema é que, dentro da proteção, há uma grande falha, conhecida como Anomalia Magnética do Atlântico Sul (Amas). Localizada entre a África e a América do Sul, a Amas passa pelo Brasil e é considerada o ponto mais fraco da defesa terrestre.
Apesar de não prejudicar a existência de vida na superfície da Terra, a anomalia faz com que satélites, sistemas de comunicação e missões espaciais corram mais risco de serem prejudicados na região onde há a falha, que tem crescido nos últimos anos.
Mas de onde surgiu esse buraco no escudo magnético terrestre? Um novo estudo liderado pelo Instituto de Geociências, na Espanha, em parceria com cientistas internacionais, indicou uma possível resposta. Os resultados foram publicados na revista PNAS em 4 de maio.
Maior falha é antiga e “prima” da Amas já ocorreu
Em busca de respostas, o grupo de pesquisadores investigou amostras arqueológicas provenientes de uma região na Argentina próxima ao centro da Amas. Para a tarefa, eles utilizaram o arqueomagnetismo, uma técnica capaz de estudar como era o campo magnético da Terra no passado.
O método expõe os objetos a altas temperaturas para permitir visualizar as assinaturas magnéticas de como era o campo magnético terrestre há anos. Através delas, os pesquisadores descobriram que a Amas surgiu no Oceano Índico em meados do ano 1000. O tempo se passou e a falha foi se movimentando para o oeste e chegando à África e à parte sul da América.
Além disso, os resultados mostraram que uma outra “prima” antiga da anomalia seguia caminho parecido entre 1 e 850 d.C.
“Nossos resultados mostram que regiões de campo geomagnético fraco semelhantes à atual Anomalia do Atlântico Sul já existiram no passado e, além disso, seguiram uma evolução comparável. Isso indica que a Amas é provavelmente a expressão mais recente de um processo geomagnético recorrente que opera em escalas de milênios”, explica a autora principal do estudo, Miriam Gómez-Paccard, em comunicado.
Estima-se que as anomalias magnéticas ocorrem devido à interação entre o manto e o núcleo externo da Terra, porém o novo estudo ainda não conseguiu chegar a uma resposta concreta do que realmente causa a Amas. Novos trabalhos deverão ser realizados.