África está se partindo mais rápido do que o esperado, afirma estudo
Pesquisa publicada na Nature Communications mostra que a crosta entre Quênia e Etiópia está mais fina do que se imaginava

Geólogos descobriram que uma região do leste da África está em estágio mais avançado de separação continental do que se pensava. O estudo, publicado na revista Nature Communications em abril, mostra que a crosta terrestre, entre o Quênia e a Etiópia, chamado Rifte de Turkana, afinou para cerca de 13 quilômetros no eixo da fenda: para os pesquisadores, isso é um sinal de que a região entrou em uma fase crítica do processo que, no futuro, pode dar origem a um novo oceano.
Apesar de a separação estar mais avançada do que se imaginava, o processo ainda deve levar alguns milhões de anos até acontecer. Na escala geológica, no entanto, esse intervalo é considerado curto.
“O leste da África avançou mais no processo de rifteamento do que se pensava. Descobrimos que o processo de rifteamento nessa zona está mais avançado e que a crosta é mais fina do que se reconhecia anteriormente”, afirmou Christian Rowan, pesquisador da Universidade Columbia e autor principal do estudo.
A configuração dos continentes parece estável, mas as placas tectônicas estão em constante movimento. Quando duas placas se chocam, podem formar cadeias de montanhas. Quando se afastam, abrem espaço para a formação de oceanos.
Como a África está se separando
A placa Africana está se dividindo em duas partes: a placa Núbia, a oeste, que inclui grande parte do continente, e a placa Somali, a leste, onde ficam áreas da costa africana e Madagascar.
No novo estudo, os pesquisadores analisaram dados sísmicos de alta resolução do Rifte de Turkana. A região se estende por centenas de quilômetros e é considerada uma das áreas mais importantes para entender a separação continental em andamento.
A análise mostrou que a crosta no centro do rifte tem cerca de 13 quilômetros de espessura. Nas bordas da região, ela ultrapassa 35 quilômetros. Essa diferença indica que a crosta está sendo esticada e enfraquecida, em um estágio conhecido como “necking”, ou afinamento extremo.
Por que isso importa
Quando a crosta terrestre fica fina demais, a separação continental se torna mais provável. Com o avanço do processo, o magma do interior da Terra pode subir, esfriar e formar um novo assoalho oceânico. Com o tempo, a água do Oceano Índico pode avançar para a região, dando origem a uma nova bacia oceânica.
Esse processo já começa a ser observado em áreas como a Depressão de Afar, no nordeste da África, perto do Mar Vermelho. Segundo os pesquisadores, o Rifte de Turkana teria entrado nessa fase de afinamento extremo há cerca de 4 milhões de anos. O período coincide com o início de camadas espessas e contínuas de fósseis na região, famosa por registros ligados à evolução humana.


